UE quer reforçar segurança no Ártico após ameaças EUA à Gronelândia
A Comissão Europeia propôs hoje uma nova estratégia para o Ártico para reforçar a segurança, proteção de infraestruturas críticas e resiliência económica, num contexto de crescentes tensões geopolíticas e de ameaças norte-americanas à soberania da Gronelândia.
"Esta estratégia estabelece um novo quadro de cooperação política entre parceiros que partilham os mesmos valores e prioridades, colocando as pessoas, a segurança, o clima e a prosperidade no seu centro", anunciou a instituição em comunicado, apontando como prioridades o reforço da segurança e da resiliência no Ártico e a resposta às alterações climáticas.
O documento do executivo comunitário surge num contexto de crescente tensão geopolítica, marcado pelas intenções manifestadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de colocar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca (país membro da União Europeia e da NATO), sob controlo dos Estados Unidos por razões de segurança nacional, e pelo reforço da presença da Rússia e da China no Ártico.
"O Ártico é um dos locais onde as placas tectónicas da geopolítica estão a colidir e não se trata de uma fronteira que diga respeito apenas a outros. (…) Quando constatamos que já não podemos dar por garantidas a soberania, a integridade territorial e as regras que sustentaram a estabilidade na região, temos de agir, alterar a nossa postura estratégica e, em conjunto com parceiros que partilham os nossos valores, defendê-los", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em conferência de imprensa em Estrasburgo (França), onde decorre esta semana uma sessão plenária do Parlamento Europeu.
No que toca à segurança, a estratégia prevê a criação de centros para reforçar a vigilância marítima e proteger os cabos submarinos no Ártico, bem como o reforço da capacidade europeia de operar na região, a proteção das cadeias de abastecimento e melhorar a coordenação das operações de busca e salvamento, em cooperação com a NATO e os parceiros regionais.
"A segurança não é o único fator que nos leva a agir", acrescentou Ursula von der Leyen, numa declaração sem direito a perguntas à margem da sessão plenária.
Mais de meio milhão de cidadãos da União Europeia (UE) vivem na região, em Estados-membros como Dinamarca, Finlândia e Suécia, que mantêm relações estreitas com países terceiros incluindo Noruega, Islândia, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.
"O Ártico está a aquecer quase quatro vezes mais depressa do que a média mundial e, enquanto regulador do clima global, influencia os padrões meteorológicos, a biodiversidade e a subida do nível do mar em todo o mundo, pelo que as consequências para a Europa são diretas", assinalou a líder do executivo comunitário.
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