Extrema-direita em conversas para garantir governo no leste da Alemanha
A AfD venceu as eleições estaduais no domingo, com 43,8% dos votos, o que lhe permitiu eleger 39 dos 83 deputados, ficando a escassos três da maioria absoluta no parlamento regional de Magdeburgo.
"Vamos, naturalmente, iniciar conversações e ver se haverá (...) grupos parlamentares ou deputados dispostos a assumir connosco esta tarefa histórica", declarou aos jornalistas Ulrich Siegmund, candidato a cargo de ministro-presidente.
"Regozijo-me agora com as conversações que foram iniciadas, que já começaram esta noite", acrescentou o dirigente do partido anti-imigração e pró-Rússia, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Siegmund poderá querer aliciar deputados da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla original), do chanceler Friedrich Merz, e contar com o apoio, pelo menos tácito, da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), formação pró-russa de esquerda.
Nenhuma região alemã foi governada pela extrema-direita desde 1945, quando a Alemanha do líder nazi, Adolf Hitler, foi derrotada na Segunda Guerra Mundial, que iniciou em 1939 e que incluiu o Holocausto, com milhões de mortos.
A BSW admitiu já que não vai bloquear a chegada da AfD ao governo da Saxónia-Anhalt, sugerindo uma possível abstenção na investidura de Siegmund.
Numa entrevista na rádio pública Deutschlandfunk, o candidato esquerdista na Saxónia-Anhalt, Thomas Schulze, afirmou que a BSW não vai participar em nenhum acordo político para vetar a AfD.
"Dissemos que não participaríamos numa coligação baseada num 'cordão sanitário' contra a AfD", reiterou, citado pela agência de notícias espanhola EP.
"Deixámos muito claro que falaremos com todos os partidos e, naturalmente, tentaremos fazer avançar também as propostas da BSW que são importantes para as pessoas daqui, na Saxónia-Anhalt", assinalou.
Caso se chegue a uma terceira votação de investidura, bastará uma maioria simples para eleger o próximo líder do estado situado no leste da Alemanha.
Schulze negou que a BSW vá ajudar a AfD a chegar ao poder e considerou que a região chegou a esta situação precisamente pelo "cordão sanitário" dos partidos tradicionais.
"São os partidos que durante os últimos anos levantaram essa 'linha vermelha', uma autêntica barreira de contenção, os que ontem [domingo] receberam a correspondente fatura eleitoral", afirmou.
Schulze disse ainda que a proposta da BSW passa por formar um governo não partidário que conte com um candidato independente que mereça o consenso dos restantes partidos.
"Será uma pessoa, com toda a certeza, daqui, de Saxónia-Anhalt. Temos várias pessoas em mente. Mas hoje ainda não vamos mencionar nenhum nome", afirmou.
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