Ministra da Justiça reitera que "mantém a confiança no diretor nacional da Polícia Judiciária"
A ministra da Justiça reiterou esta quinta-feira a confiança no diretor da Polícia Judiciária, depois de ter sido noticiado que foi alvo de uma queixa na Procuradoria-Geral da República por alegado falso testemunho sobre escutas feitas no processo Football Leaks.
Questionado pela Lusa sobre se a notícia avançada esta quinta-feira compromete a confiança do Governo no diretor da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, e se a sua manutenção no cargo estava posta em causa, o gabinete de Rita Alarcão Júdice referiu que “a Ministra da Justiça não tem comentários a fazer, reiterando apenas que mantém a confiança no Diretor Nacional da Polícia Judiciária”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou esta quiinta-feira ter recebido uma denúncia contra o diretor da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de escutas feitas no processo Football Leaks.
Em resposta à Lusa, a PGR confirmou ter recebido uma denúncia, sendo que “a mesma foi remetida ao DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa”.
Segundo avançou o canal NOW e o jornal Expresso, a queixa apresentada está relacionada com processo Football Leaks e admite que terão sido feitas escutas sem autorização de um juiz, tendo o atual diretor da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, dito em tribunal, durante o julgamento, que não foram feitas escutas no terreno.
Este processo, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligado ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
De acordo com a queixa enviada para a PGR, estão em causa gravações feitas pela PJ e autorizadas por Carlos Cabreiro, em 2015, no dia em que Aníbal Pinto, arguido e condenado no processo Football Leaks e que naquela altura representava Rui Pinto, se encontrou com Nélio Lucas, dono da Doyen, e com o advogado Pedro Henriques, numa área de serviço de Oeiras.
Este encontro terá sido um dos momentos decisivos neste processo, uma vez que permitiu à PJ chegar à identificação de Rui Pinto, que acabou por ser condenado a quatro anos de prisão, com pena suspensa, em setembro de 2023, por um crime de extorsão na forma tentada, três de violação de correspondência agravado e cinco de acesso ilegítimo.
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