Banco do Japão sobe juros para máximos de 31 anos
O Banco do Japão (BoJ) subiu esta sexta-feira a taxa de juro de referência em 25 pontos base, para 1,25%, o nível mais elevado em 31 anos , acelerando o processo de normalização da política monetária perante os riscos de inflação e a persistente fraqueza do iene.
A decisão foi aprovada por sete votos contra dois no conselho de política monetária e já era amplamente antecipada pelos mercados.
É a segunda subida dos juros em apenas três meses , depois de o banco central japonês ter elevado a taxa para 1% em junho.
O Japão junta-se assim a outros grandes bancos centrais que voltaram a apertar a política monetária perante o aumento das pressões inflacionistas, associadas sobretudo à subida dos preços da energia.
A Reserva Federal norte-americana aumentou esta semana os juros pela primeira vez desde 2023, depois do BCE ter decidido uma nova subida na semana passada.
Apesar do aumento dos juros, o iene, que este ano já atingiu mínimo de quatro décadas contra o dólar, desvalorizou-se contra a moeda americana após o anúncio .
A subida desta sexta-feira já estava descontada pelos investidores e o comunicado do BoJ, embora sinalize novas subidas não aponta para um ritmo mais agressivo no aperto da política monetária.
"Quanto à condução futura da política monetária, tendo em conta que a inflação subjacente se tem aproximado dos 2% e que as condições financeiras permanecem acomodatícias, o Banco continuará a subir a taxa de juro de referência e a reduzir o grau de estímulo monetário, em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.” Banco do Japão O Secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, tem pressionado o Banco do Japão a subir as taxas de juro para reduzir a diferença face às taxas americanas e segurar o valor iene.
Isto porque o banco central japonês, um dos maiores detentores de Treasuries do mundo, tem vendido os títulos de dívida dos EUA para ter fundos para comprar ienes e impulsionar a cotação.
A venda das Treasuries cria pressão sobre o seu preço e empurra as yields para cima, contribuindo para que tenham chegado ao nível mais alto desde 2007 no prazo a 10 anos, acima dos 5%, encarecendo o financiamento da economia americana.
A questão orçamental também entrou no confronto.
A primeira-ministra Sanae Takaichi mantém uma política expansionista, herdeira em parte da lógica da Abenomics, enquanto Bessent tem pressionado Tóquio para conter os estímulos e apresentar uma trajetória fiscal mais sustentável.
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