Estão por trás dos modelos dos bancos centrais. Quem são os vencedores do Nobel da Economia?
Fazem parte do grupo de académicos que passou a considerar o comportamento dos consumidores na altura de avaliar a eficácia da política monetária dos bancos centrais, e os seus modelos são hoje largamente usados e aceites por essas mesmas instituições .
Robert E.
Hall , de 83 anos, e Michael Woodford , de 70 anos, são os vencedores do Prémio Nobel de Ciências Económicas deste ano, atribuído pela Academia Real Sueca das Ciências.
É uma escolha que não surpreende , justifica ao ECO o professor da Nova SBE, André de Castro Silva.
Para o economista, os dois investigadores norte-americanos, das Universidades de Stanford, na Califórnia, e Columbia, em Nova Iorque, respondem a uma falha dos modelos de John Maynard Keynes que “ não tinham em conta que as pessoas [incluindo famílias e empresas] agiam face a essas mudanças” na política monetária .
Woodford passou a incluir o comportamento das famílias na política monetária, tornando mais clara a sua reação, sobretudo no curto prazo, a decisões como uma subida de impostos, ou mexidas nas taxas de juro.
Robert E.
Hall e Michael Woodford vencem Nobel da Economia Ler Mais “As reações da economia são fruto de milhões de decisões tomadas a nível microeconómico por famílias e empresas”, escreveu o comité do Prémio Nobel.
“ Ao utilizarem modelos baseados nesta abordagem, em vez de se limitarem a estudar a economia numa perspetiva macroeconómica, como se fosse uma visão panorâmica”, a investigação de Hall e Woodford “provocou uma mudança de paradigma na teoria da política de estabilização”.
Aliás, um artigo de Hall de 1978, sobre a relação entre o consumo das famílias e as suas expectativas, terá servido de base a Woodford para um modelo de determinação do consumo .
Foi esta mudança que, no entender de John Hassler, presidente do comité, levou a que estejamos “ melhor equipados para lidar com choques na economia , tais como crises energéticas ou mudanças repentinas na forma como as famílias consomem”.
De acordo com a Academia Real Sueca de Ciências, os dois investigadores desenvolveram “novos modelos macroeconómicos que melhoraram significativamente a capacidade de implementar políticas de estabilização eficazes”.
Assim, André de Castro Silva descreve Michael Woodford como “ o pai dos novos modelos keynesianos, que são usados hoje pelos bancos centrais ”.
A contribuição de Robert E.
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