Trabalhadores da Lusa aprovam voto de repúdio contra Administração da agência
Os trabalhadores da Lusa aprovaram esta segunda-feira, em plenário, um voto de repúdio contra a Administração , a quem acusam de sucessivos atos de “má gestão e desrespeito” , e exigiram que o Governo clarifique se mantém a confiança nos administradores.
“[…] Os trabalhadores da Lusa aprovam um voto de repúdio contra o Conselho de Administração [CA] pelos atos praticados contra a Lusa e os seus trabalhadores, exigindo uma clarificação ao Governo sobre se mantém a confiança no atual CA”, lê-se na resolução do plenário, que contou com cerca de 150 pessoas, presencialmente e por meios telemáticos.
No documento, que recebeu apenas uma abstenção, os trabalhadores acusaram a Administração, composta por Joaquim Carreira, Ana Alves e Luís Ferreira Lopes, de praticar uma “sucessão de atos de má gestão e desrespeito pelas normas de independência” , que está a resultar numa instabilidade permanente.
Em causa, segundo a mesma resolução, está a denúncia hostil do Acordo de Empresa, a ausência de negociações sobre os aumentos de 2026 , que fazem parte do caderno reivindicativo, a ingerência editorial na definição de novos contratos com chefes de delegações e no processo de escolha de um novo jornalista para a delegação de Bruxelas , decisão da responsabilidade da Direção de Informação.
Lusa propõe aumento salarial de 280 euros em quatro anos A diretora de informação da Lusa, Luísa Meireles, anunciou, na semana passada, ter aceitado uma proposta feita pela Administração para a sua saída , depois de “ao longo do tempo” a situação se ter tornado insustentável.
Luísa Meireles, que termina esta segunda-feira as suas funções como diretora, considerou ter assistido a um “despedimento em direto”, quando, no parlamento, o presidente do CA, Joaquim Carreira, disse que esta “atingirá o limite legal para estar nestas funções”, além de ter relatado uma “possível situação de conflito de interesses em relação a ser presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ)”.
Os diretores adjuntos, Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas, assumem, a pedido do CA e a título interno, a continuidade da direção editorial até ao final do mês.
Na resolução do plenário desta segunda-feira, os trabalhadores da Lusa apontam que as “repetidas tentativas de interferência na esfera editorial representam um cruzamento de uma fronteira inegociável e levantam fundadas preocupações de que uma próxima Direção de Informação, que será nomeada pelo atual Conselho de Administração, seja permeável a interferências “.
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