Crescimento "não é causa perdida" se Europa tiver "reação vigorosa e rápida"
"N a Europa, temos talentos, um bom nível de educação e capacidade de poupança, mas não conseguimos mobilizar tudo isso de forma suficiente", declarou Christine Lagarde numa entrevista ao diário francês Ouest-France.
Questionada pelo jornal regional sobre a possibilidade de relançar o crescimento económico "num continente envelhecido e já muito desenvolvido", a antiga diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-ministra da Economia francesa considerou a questão "legítima".
"A demografia desempenha um papel importante. Mas é possível contrabalançá-la através de uma melhoria da produtividade", sublinhou, acrescentando: "Mesmo com menos mão-de-obra, se formos mais eficientes, conseguimos gerar crescimento. Não é uma causa perdida".
"Temos de tomar as rédeas da situação e penso que a política norte-americana, que mudou drasticamente nos últimos anos, deve levar-nos a uma reação vigorosa e rápida", afirmou.
O BCE aumentou na quinta-feira as suas taxas de juro de referência, uma decisão tomada para ajudar a conter a inflação, que "deverá permanecer significativamente acima do [seu] objetivo durante um período prolongado", mas que encarece o crédito à habitação, os empréstimos às empresas e o custo do financiamento público.
"A missão do BCE é garantir a estabilidade dos preços", justifica Christine Lagarde, recordando o "objetivo de inflação de 2% a médio prazo", muito longe do nível atual, de "3,3 % na zona euro, com um choque significativo", em parte relacionado com a guerra no Médio Oriente, e "cuja duração será provavelmente mais longa" do que o previsto.
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