Episódio 4. Uma “deusa” no 25 de Abril
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Se quiser ouvir todos os episódios de seguida, basta ser assinante standard ou premium do Observador. Para assinar, vá a observador.pt/assinar. São 3h56 da madrugada de 25 de abril de 1974. Toca o telefone na casa dos Silva Pais, na Rua de Moçambique. Do outro lado é o Ministro do Exército, o general Andrade e Silva. Tem um recado para dar ao diretor da PIDE. Há forças com blindados a chegar ao Terreiro do Paço. Silva Pais não estava à espera do golpe naquele dia, vai assumir mais tarde. Demora a reagir. Leva mais de uma hora a ligar para o presidente do Conselho, Marcelo Caetano. Informa-o de que o caso é muito grave e que os revoltosos já ocuparam as principais emissoras de rádio e a televisão. Poucos minutos depois, o diretor da PIDE telefona novamente. Aconselha Marcelo Caetano a sair de casa o mais rapidamente possível e a refugiar-se no Largo do Carmo. "A GNR está fixe", diz. Sugere o mesmo ao Presidente da República, Américo Tomás, que decide não o fazer. Silva Pais vai para a sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, onde ao longo das horas seguintes se hão de refugiar largas dezenas de agentes da polícia política do regime. À medida que o tempo vai passando, são cada vez mais as pessoas, cada vez mais enfurecidas, a cercar o edifício. Mas quem está no interior não se rende, ao contrário do que está a acontecer no quartel do Carmo, de onde Marcelo Caetano acaba de ser levado numa Chaimite. Pouco depois do início da noite, pelas 20h15, ouvem-se tiros vindos da sede da PIDE. São disparados por agentes contra a população. Quando recebe ordens para ir para o local, o comandante Luís Costa Correia sabe que já há baixas civis, mas não faz ideia de que morreram quatro pessoas.
Quando lá chegámos, realmente, encontrámos uma maneira assustadora, porque a multidão tinha fugido, naturalmente, da zona, mas estava extremamente ainda desorientada.
Mais tarde, Silva Pais vai dizer à comissão de extinção da PIDE que só deu ordens para haver tiros para o ar caso os ânimos se exaltassem. E só para dispersar manifestantes. A polícia política, justificará, não dispunha de material para afastar multidões. Apesar de o edifício estar cercado, Silva Pais continua a resistir. O diretor da PIDE passa a noite no gabinete onde trabalha. Lá fora, os militares comandados por Costa Correia recebem ordens para aguardar. Não há condições para atacar durante a noite.
Ao fim dessa noite mal passada, digamos assim, enviámos um emissário, um agente que tinha sido capturado durante uma tentativa de fuga. Enviámos um emissário ao gabinete do diretor-geral, que era o major Silva Pais, procurando assegurar que eles não disparariam contra a nossa entrada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.