"Aprendemos com custo elevado o que significa quebrar legislaturas"
O antigo ministro das Finanças, Mário Centeno, reforçou, esta segunda-feira, que o ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, "deveria ter pedido a todos os partidos para se reunirem e para tentarem encontrar os consensos", uma vez que "aprendemos com um custo demasiado elevado o que significa quebrar legislaturas".
"Podemos – e devemos – pensar nas questões institucionais do país e no que é que nos podem ajudar. Temos, nos últimos dias, vários episódios – inclusive recordados pelo primeiro-ministro – de como não ter um Governo de maioria prejudica a vida do país. Em 2009 foi assim e hoje estamos confrontados com as mesmas debilidades, porque temos um coro pedindo reformas, temos uma incapacidade de apresentar e de fazer aprovar essas reformas", contextualizou, no seu espaço de comentário na CNN Portugal.
O antigo governador do Banco de Portugal assinalou que "temos as instituições para regular o funcionamento das sociedades, a economia, a vida das pessoas", entre elas "a Presidência da República, a Assembleia da República, o Governo, os tribunais, os sindicatos, as associações patronais, tudo o que move a nossa vida coletiva".
"Essas instituições servem para proteger as pessoas e proteger as pessoas em economia significa dar-lhes tempo. Tempo em economia é liquidez. Os agentes que têm mais liquidez são aqueles que são mais pacientes e são aqueles que, por exemplo, aguentam e respondem melhor a crises. Toda a sociedade vê que as instituições que estão por cima não reservam para si mesmas o tempo para resolver o problema que temos, não estão a fazer aquilo que é suposto fazerem", disse.
O ex-ministro do Executivo de António Costa elucidou que, na sua ótica, Marcelo "deveria de ter pedido a todos os partidos para se reunirem e para tentarem encontrar os consensos antes do barco partir", defendendo uma solução como a exigida pelo chefe de Estado Aníbal Cavaco Silva, em 2015, que deu origem à Geringonça.
"Se conseguirmos ter um Governo com um terço dos deputados e dos votos a fazer essas reformas, significa que esse Governo conseguiu ter diálogo no Parlamento e apoio para fazer passar essas reformas. O que espero é que os 230 deputados possam dar corpo à democracia. A Presidência da República é um elemento essencial neste contexto", apontou.
E complementou: "Aprendemos com um custo demasiado elevado o que significa quebrar legislaturas. Este século tem sido, para Portugal, um calvário de legislaturas interrompidas e acho que não podemos continuar a correr esse risco. A forma de o fazer é precisamente haver negociação. É para isso que os deputados são eleitos, representar os cidadãos. Representar os cidadãos significa tomar decisões em nome deles e para o bem deles. Nem sequer tentámos. Pelo menos que seja público, não houve nenhuma reunião entre os líderes dos principais partidos, diria até de todos os partidos, para tentar.
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