BE acusa Orçamento 2027 de beneficiar os ricos e ignorar trabalhadores
O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, considerou hoje que a proposta de Orçamento para 2027 "dá migalhas" a quem trabalha e beneficia os mais ricos, defendendo que faltam medidas que resolvam problemas estruturais.
"É um Orçamento que dá migalhas a quem trabalha, enquanto beneficia quem é mais rico e nisso, justiça seja feita ao Governo, o Governo traduz no Orçamento aquilo que é a sua orientação de sempre", afirmou.
Em declarações aos jornalistas em Coimbra, José Manuel Pureza contestou aquela que disse ser "a desculpa" do ministro das Finanças, Miranda Sarmento, de que o rendimento das famílias "tem subido sem paralelo", numa expressão usada pelo governante.
"Isso é uma ficção e até uma ofensa para a grande maioria das pessoas que trabalham e que vivem em Portugal", referiu, sustentando que os rendimentos não têm subido tanto como o preço dos combustíveis, das rendas de casa e os juros dos empréstimos para habitação, e as contas do supermercado.
Outro ponto referido por José Manuel Pureza é que o Orçamento "aumenta da despesa com parcerias público-privado, salientando ser "muito importante" o documento "prever a privatização de empresas do Estado".
"Vem aí uma onda de privatizações para suportar essa despesa adicional com as parcerias público-privado", alertou.
O dirigente criticou também a justificação do ministro das Finanças de que o país faz "boa figura em Bruxelas", considerando que isso revela que "este Governo se esqueceu das pessoas" que trabalham e vivem em Portugal e que "não conseguem chegar ao fim do mês com as dívidas e despesas".
"Por mais que o Governo se vanglorie dos números do crescimento, a verdade é que o crescimento em abstrato não beneficia as pessoas", notou, defendendo que se o poder de compra continuar a diminuir as "pessoas vão continuar a sofrer" e a garantia pública na habitação "serve a muito poucos".
O coordenador do BE argumentou também que, no Orçamento, "faltam medidas que resolvam os problemas estruturais" da economia e do país.
O líder do BE criticou também o descongelamento das propinas que está previsto na proposta de Orçamento para 2027.
"Entendemos que isso é um retrocesso absolutamente inaceitável, porque o Governo está a dizer a quem se mata a trabalhar para por os filhos na universidade que vão ter de trabalhar ainda mais e poupar ainda mais para o conseguir fazer e, muito provavelmente, não conseguirão manter os seus filhos na universidade", justificou.
José Manuel Pureza reiterou que o BE "votará contra este orçamento, na exata medida em que ele reflete as escolhas políticas principais de um Governo" com o qual está em desacordo.
O Governo entregou hoje na Assembleia da República a proposta de Orçamento do Estado para 2027, antes do prazo previsto por lei.
A proposta de Orçamento prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% em 2027 e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.
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