Teerão considera "irrelevante" fim do prazo para acordo com EUA
"O prazo de 60 dias para as negociações é irrelevante", afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, sobre o fim daquele prazo, citado pela agência oficial de notícias iraniana IRNA.
Segundo Bagaei, "a implementação [do acordo] está completamente paralisada pelas flagrantes violações, por parte dos Estados Unidos, do memorando de entendimento assinado a 17 de junho".
O memorando, assinado pelos Presidentes norte-americano, Donald Trump, e iraniano, Masoud Pezeshkian, estabeleceu um cessar-fogo e um período de 60 dias para as partes negociarem um acordo definitivo.
O entendimento previa ainda a reabertura do estreito de Ormuz e, segundo Teerão, o levantamento das restrições à comercialização de petróleo iraniano e do bloqueio aos portos e navios do país.
"As negociações nem sequer começaram porque os Estados Unidos, apenas algumas semanas após a assinatura do memorando de entendimento, cometeram violações flagrantes e generalizadas do seu texto", acusou Baghaei.
O acordo provisório destinava-se a criar um período de 60 dias sem hostilidades que permitisse às duas partes negociar uma solução mais duradoura para o conflito.
Contudo, as hostilidades foram retomadas menos de três semanas depois, num contexto de divergências sobre o controlo da navegação no estreito de Ormuz.
Teerão sustentou que o artigo 5.º do memorando lhe conferia poderes para controlar a passagem pelo estreito, exigindo que os navios coordenassem a travessia com a Guarda Revolucionária iraniana, e atacou embarcações que alegadamente desrespeitaram essas instruções.
Os Estados Unidos responderam em 07 de julho com ataques contra o Irão e, dois dias depois, restabeleceram o bloqueio aos portos e navios iranianos, seguindo-se a revogação da autorização para a comercialização internacional de petróleo iraniano.
O Irão retaliou com ataques contra países do golfo Pérsico e voltou a bloquear o estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado internacionalmente antes do conflito.
Teerão exige agora que Washington volte a cumprir o memorando, incluindo o fim das hostilidades, o levantamento do bloqueio aos portos e navios iranianos e a possibilidade de comercializar petróleo nos mercados internacionais, como condição para reabrir o estreito.
O memorando de entendimento foi anunciado em 14 de junho e formalmente assinado pelos dois países em 17 de junho, com o objetivo de pôr termo aos combates e abrir caminho para um acordo definitivo.
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