Produtores de leite deixam “oferta” de palha à porta do Intermarché contra importações francesas
A guerra pelo leite português ganhou uma nova frente.
Produtores de leite decidiram deixar um primeiro fardo de palha junto a uma loja do Intermarché, em Vila Nova da Telha, na Maia, como forma de protesto contra a venda de leite estrangeiro nas lojas da cadeia.
A iniciativa é promovida pela APROLEP — Associação dos Produtores de Leite de Portugal — que acusa o grupo de estar a importar leite francês numa altura em que os produtores nacionais enfrentam pressão sobre os preços e os custos de produção.
Em causa está, segundo a associação, a presença crescente nas lojas Intermarché de leite francês vendido sob a marca própria “Top Budget”.
A APROLEP chama a atenção para o código “FR” inscrito na marca de salubridade da embalagem, que identifica a origem francesa do produto.
Para os produtores, trata-se de uma importação que poderia ser evitada num mercado onde existe produção nacional.
“Uma importação desnecessária”, considera a associação, que entende que a opção da distribuição contribui para desvalorizar o leite português e o trabalho dos agricultores.
O protesto surge depois de vários meses em que a APROLEP tem apelado à distribuição e aos consumidores para privilegiarem leite e produtos lácteos nacionais.
A associação argumenta que a escolha por produtos portugueses tem efeitos que ultrapassam o rendimento das explorações agrícolas: reduz o défice comercial, mantém atividade económica no território e ajuda a preservar áreas agrícolas que, segundo os produtores, funcionam também como uma barreira à propagação dos incêndios.
Leite francês enquanto produtores portugueses reduzem produção A contestação ganha particular força porque, de acordo com a APROLEP, a entrada de leite francês acontece num momento em que alguns produtores da Região Norte estão a ser obrigados a reduzir a produção.
A razão estará nas quantidades contratadas com as cooperativas.
Produtores que ultrapassem os volumes acordados podem ser penalizados, pelo que algumas explorações estão a limitar a produção apesar de existir leite disponível para o mercado.
É neste contexto que a associação questiona a decisão de importar leite estrangeiro.
“Tudo isto causa uma enorme revolta dos agricultores”, afirma a APROLEP, apontando para um cenário em que, simultaneamente, o preço pago ao produtor está a baixar enquanto aumentam os custos de produção, nomeadamente com gasóleo, fertilizantes e rações.
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