Nova polémica? "É ao primeiro-ministro a quem peço responsabilidades"
O secretário-geral do PS comentou, esta sexta-feira, a nova polémica que envolve o Luís Neves, desta feita sobre o uso de um carro apreendido pela PJ. José Luís Carneiro começou por recordar, em Terras de Bouro, em Braga, que "o ministro da Administração Interna é quem tem a tutela das forças que aplicam a lei".
"Para que os cidadãos possam cumprir a lei que lhes é imposta pelas forças da autoridade, quem é titular da pasta tem de ser exemplar em todos os domínios de aplicação da lei", elaborou.
Segundo Carneiro, há o que diz "respeito ao desempenho de Luís Neves como diretor da PJ e esses assuntos estão a ser investigados, pela PGR e pelo Ministério da Justiça, temos de aguardar pelas investigações" e, depois, há a questão do "uso de viaturas de serviço". "É preciso ver em que termos é que foram utilizadas, porque se não houver uma boa explicação podemos estar perante um crime de peculato de uso, mas é isso que é preciso averiguar para perceber se estamos ou não perante a prática de um crime", disse.
"O primeiro-ministro, que é o responsável máximo pela equipa do Governo, é que tem de decidir se quer manter ou não, os membros do Governo. E não é só este caso - é o caso da Saúde, da Educação, do Trabalho", atirou, garantindo: "Há algo que eu sei, que é que quando chegar a hora das eleições, eu vou disputá-las com Luís Montenegro. Não é com Luís Neves, não é com a ministra da Saúde, nem com o ministro da Educação, nem com a ministra do Trabalho".
Para o secretário-geral do PS, o "primeiro e mais importante responsável pelos termos em que o Governo cumpre os seus deveres - éticos, de legalidade - é o primeiro-ministro". "E é a quem peço responsabilidades", referiu.
"E foi por isso que lhe pedi uma audiência e lhe transmiti que há áreas do Estado cuja integridade não pode ser posta em causa de forma alguma, uma delas é a Administração Interna", detalhou.
Recorde-se que o ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, está envolvido numa nova polémica relativamente ao uso de um carro que foi apreendido num processo-crime no âmbito de tráfico de droga, veículo este que já usaria quando era diretor nacional da Polícia Judiciária.
Questionado, o ministro confirmou que se trata de um dos carros que usou como diretor da PJ, apontando que o Golf é "uma viatura de serviço em regime de comodato, devidamente autorizado nos termos legais" e cuja condução é feita pelo próprio ministro, porque "assegura maior disponibilidade, funcionalidade e capacidade de resposta operacional, num cargo que exige deslocações frequentes, horários imprevisíveis e prontidão e qualquer circunstância".
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, usa um carro apreendido pela PJ, mas explicou que esta utilização permite "poupar verbas substanciais (…), uma vez que os horários praticados exigiriam a mobilização de mais recursos humanos em regime de turnos".
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