Ministro da Agricultura diz que pastores têm razão sobre ataques do lobo
O ministro da Agricultura disse hoje que os pastores "têm toda a razão" sobre os prejuízos causados pelo lobo Ibérico nos rebanhos e que o Governo "está a fazer tudo" para os compensar.
"Os pastores têm toda a razão.
Eu já disse que nós não podemos pôr o pastor a trabalhar para o lobo.
O pastor tem de ter os seus rendimentos", afirmou José Manuel Fernandes.
O governante, que falava à margem de um fórum sobre pastorícia extensiva, que decorreu hoje em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, adiantou que tem trabalhado em conjunto com a ministra do Ambiente no sentido de encontraram medidas para compensar os pastores.
Cerca de uma dezena de criadores de gado da região Norte concentraram-se hoje à porta da Casa das Artes, onde decorreu o fórum, e, quando o ministro prestava declarações aos jornalistas interpelaram-no, dizendo que só retirando os lobos ibéricos, espécie protegida, é que o problema se resolve.
José Manuel Fernandes disse que tem "trabalhado em conjunto com a ministra do Ambiente e Energia" para encontrarem soluções que mitiguem a situação.
Apontou o caso "das indemnizações que foram atualizadas", passando "para o triplo" do valor até agora pago aos pastores.
"Agora não adianta passar-se para o triplo ou para o décimo se depois elas não chegarem atempadamente.
A Senhora ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que é uma aliada da agricultura e da coesão territorial, deu ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) 30 dias para analisar medidas adicionais", acrescentou.
As "medidas adicionais" passam pela existência de presas naturais para o lobo, a implementação de cercas que protejam os rebanhos, o apoio de cães, mas o ministro da Agricultura afirmou que é preciso considerar as especificidades de cada região para as implementar.
"Insisto muito nesta palavra: especificidades.
Não é possível pôr cercas em todo o lado, não é possível ter cães em todos os sítios e, portanto, temos de ter aqui uma ação forte, é o que temos concretizado, em relação aos pastores que são absolutamente essenciais", apontou.
José Manuel Fernandes sublinhou que "o pastor coloca a comida na mesa, garante a segurança alimentar, faz um trabalho de biodiversidade, com a redução do material combustível, diminuindo o risco de incêndios".
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