Discutir reforma da Seg. Social? Jorge Bravo diz que é "timing" adequado
O coordenador do grupo de trabalho para a Reforma da Segurança Social defendeu hoje que "agora era o 'timing' adequado" para começar a discussão de uma reforma estrutural, considerando que há propostas de "implementação rápida".
"Iniciar o processo de discussão de uma reforma estrutural [da Segurança Social] agora era o 'timing' adequado", afirmou Jorge Bravo, que esteve hoje a ser ouvido na Assembleia da República, na sequência de requerimentos do Chega, PS e Bloco de Esquerda (BE).
Segundo o coordenador, há "um conjunto bastante alargado" de propostas do grupo de trabalho que "são de implementação bastante mais rápida", disse, dando como exemplo o programa grão-a-grão, o programa 'Save As You Buy' (poupança através do consumo) ou a garantia integrada para a velhice.
Estas "são reformas que não são muito difíceis de consensualizar e de recalibrar do ponto de vista técnico e até, no fundo, rearranjar os sistemas operacionais para que eles sejam implementados de forma fácil", acrescentou.
Por outro lado, Jorge Bravo admitiu que "as reformas mais exigentes" do ponto de vista legislativo e de operacionalização dizem respeito à introdução de um regime público de contas nocionais de contribuição definida porque "obrigaria a preparar toda a administração pública para o poder fazer", sustentou.
O coordenador do grupo de trabalho indicou que a criação de sistemas complementares de inscrição automática é outra das reformas "de fundo" e que "exige primeiro uma consensualização na parte da sociedade".
No que respeita à adoção de um regime de contas nacionais, e após esta proposta ter sido alvo de várias críticas por parte de alguns deputados, Jorge Bravo assegurou que "mantém tudo aquilo que é hoje o sistema de repartição", mudando "apenas" a forma de constituição dos direitos.
Segundo o grupo de trabalho, o atual sistema não garante justiça, equidade social nem "gera incentivo à contributividade", levando a que não haja "qualquer incentivo" à declaração total dos rendimentos, o que prejudica o financiamento do sistema público, detalhou.
Jorge Bravo defendeu que o regime de contas nocionais está melhor "adequado" ao mercado de trabalho do século XXI, dado que é um mercado de trabalho "os trabalhadores vão alternar entre trabalhos por conta de outrem e trabalho independente, períodos no território nacional, períodos no estrangeiro" ou períodos em que podem ter as duas funções.
"O atual sistema, muito assente em regras rígidas e num modelo de contratação laboral que já não existe no século XXI não permite acompanhar" sustentou, defendendo ainda que "carreiras fragmentadas, os salários insuficientemente declarados, as interrupções para o desemprego, para a parentalidade, ficam melhor cobertas" com este sistema.
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