Quercus contra exploração de caulino e argila em Peniche
A associação ambientalista Quercus posicionou-se esta sexta-feira contra a futura exploração mineira de caulino e argila no concelho de Peniche face à proximidade de povoações e aos impactos negativos para a qualidade da água e do ar.
“A Quercus manifesta-se contra a viabilização de novas explorações de caulino a céu aberto na faixa do Oeste onde existam povoações em proximidade imediata, risco de destruição de habitats sensíveis ou onde a pressão extrativa acumulada exceda a capacidade de carga do território” , refere a associação numa nota de imprensa.
Os ambientalistas apelam à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que emita uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável ou suspenda o processo até que sejam realizados estudos mais aprofundados.
A Quercus alerta para a degradação e contaminação dos aquíferos – devido à atividade extrativa e ao processo de lavagem de areias para a separação do caulino, que exige “consumos intensivos de água” -, assim como da qualidade da água de abastecimento público da Albufeira de São Domingos.
“A emissão de poeiras finas resultantes das escavações e do transporte gera riscos diretos para os moradores das povoações vizinhas, como Casais de Mestre Mendo e Serra d’El-Rei”, afetando a qualidade do ar e da saúde, é referido.
A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), sublinham os ambientalistas, “omite a monitorização e quantificação do teor de sílica cristalina respirável, um agente cancerígeno presente em abundância nas areias cauliníticas com elevado teor de quartzo”, e “falha ao não calcular o total anual de emissões de gases de efeito de estufa que a mina irá gerar”.
Para a Quercus, a concessão mineira vai afetar 471 dos 662 sobreiros, contrapondo-se com uma compensação “ridícula de apenas 300 novos exemplares”, nove espécies de fauna vulneráveis, um habitat de charneca húmida e a espécie de flora autóctone “Drosophyllum lusitanicum”.
“A criação de poços de extração altera irreversivelmente o relevo, com risco de incumprimento do plano final de recuperação paisagística, deixando um passivo ambiental a longo prazo”, aponta.
Além de não estar prevista uma garantia financeira para recuperação da zona após terminado o contrato de concessão, “o projeto não produzirá receita fiscal local, na medida em que a promotora Motamineral mantém a sua sede em Alvarães (Viana do Castelo)”, refere ainda.
Os municípios de Óbidos e de Peniche, no distrito de Leiria, e as freguesias de Atouguia da Baleia, Peniche e Serra d’El-Rei, deste concelho, deram parecer desfavorável ao processo, ao participarem na consulta pública da AIA que decorre até terça-feira.
A exploração mineira de caulino e argila está prevista para uma área de 101 hectares a céu aberto, na freguesia de Serra d’El-Rei, designada Royal China Clay e concessionada pelo Estado durante duas décadas à Motamineral – Minerais Industriais, S.
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