Gronelândia. Afinal, qual é o acordo entre os EUA e a Dinamarca?
A vitória da diplomacia ou regresso da Doutrina Monroe.
Ontem, Trump falou na ONU num tom diferente daquele a que nos tem habituado, ainda que com algumas diatribes da raiva e de ego insuflado, mas muito mais calmo e acima de tudo a falar para os americanos que vão votar nas eleições intercalares.
Foi nesse mesmo discurso que Trump anunciou em modo vitória pessoal que os EUA vão “começar imediatamente o processo de desenvolver uma grande presença militar” na Gronelândia, incluindo “duas bases militares muito importantes”, no âmbito de um acordo de segurança assinado horas depois com a Dinamarca e a Gronelândia.
Segundo o prórpio, o acordo dá aos EUA “controlo permanente sobre a segurança e todas as necessidades desse território”: “Teremos total capacidade para fazer o que for necessário para defender o continente americano, e também a Europa e outros locais.
Nenhum adversário dos EUA poderá alguma vez estabelecer presença militar na Gronelândia, ou fazer investimentos sensíveis lá sem a nossa autorização expressa por escrito.” Acrescentou que, “ao expandir a presença da América no Ártico e no Atlântico Norte, este acordo também protege a Europa… e reforça muito a NATO.” Mas se Trump agora atira as foguetes e apanha as canas, o resultado final fica muito aquém da sua exigência inicial de “posse total” da Gronelândia, no fundo, acabou por assinar um acordo que reforça acesso militar já em grande parte previsto desde 1951, sem ganhar território nem soberania Mas o que aconteceu exatamente? À margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, os Estados Unidos, a Dinamarca e a Gronelândia assinaram um acordo trilateral de segurança que pôs fim a meses de forte tensão sobre o futuro do território ártico.
A cerimónia reuniu Donald Trump, a Primeira-Ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e o Primeiro-Ministro gronelandês Jens-Frederik Nielsen.
Recuo a 2019 para perceber 2026.
Trump manifestou pela primeira vez interesse em comprar a Gronelândia à Dinamarca, em 2019, mas a vontade intensificou-se muito a partir do início do seu segundo mandato, em janeiro de 2025, quando passou a insistir que os Estados Unidos precisavam de controlar o território por razões estratégicas, chegando a não excluir uma tomada por força militar e a ameaçar tarifas de 25% sobre a Europa caso os aliados se opusessem.
Esta pressão alarmou de tal forma os parceiros europeus que chegaram a discutir um futuro do Ocidente sem os Estados Unidos, e gerou receio generalizado entre os cerca de 56 mil habitantes da Gronelândia.
Em janeiro, no pico da crise, Jens-Frederik Nielsen afirmou publicamente que a Gronelândia escolhia ficar do lado da Dinamarca, da NATO e da União Europeia.
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