O Reino Unido quer sair do atoleiro
A ameaça de sair da União Europeia foi uma ideia do primeiro ministro conservador David Cameron, com a intenção de obter ainda mais exceções e vantagens em Bruxelas.
Nunca pensou que o referendo daria o resultado que deu e acabou por se demitir.
A campanha foi um exemplo perfeito de como uma democracia permite a ação dos seus inimigos, no caso Nigel Farrage e Boris Johnson, que usaram todas as afirmações desonestas e idiotas possíveis para convencer os eleitores.
Por exemplo, que o dinheiro enviado para Bruxelas seria usado em melhorias sociais.
Ou que era preciso voltar a ter controle sobre o país, fora das regras de Bruxelas.
E dispensar os imigrantes, que só roubavam trabalho aos ingleses. (Tal como cá, sem imigrantes a economia para.) E ainda explorando o mito criado na II Guerra Mundial de que a “velha Albion” resistia a tudo, desde o fim do Império aos ataques alemães.
Caído Cameron, seguiu-se uma sucessão de primeiros-ministros conservadores de meter dó: Boris Johnson um menino-bem apalhaçado que tentou negociar o Brexit de qualquer maneira; Liz Truss (que durou um mês), Rishi Sunak, um bilionário de origem indiana (Imagine-se!) e, quando o eleitorado finalmente percebeu que os conservadores não tinham competência para tempos difíceis, o trabalhista Keir Starmer, um lorde titubeante que não resolveu nenhum problema e ainda deu força ao partido Reform de Nigel Farrage (o equivalente ao nosso Chega).
Mas quais eram os problemas para resolver? Todos; subida do custo de vida e aumento da pobreza (o custo do aquecimento, indispensável naquele clima, subiu 70%), semi-falência do outrora fantástico Serviço Nacional de Saúde, falta de mão de obra na agricultura e redução do investimento industrial, diminuição atroz das exportações por incompatibilidade com as normas da UE… Tudo o que podia correr mal, correu mal.
Vendo-se em perigo, o Partido Trabalhista em Julho desde ano votou outro primeiro-ministro, Andrew Burnham, que trazia um excelente currículo como Presidente da Câmara da Grande Manchester desde 2017. (Pelo sistema inglês, não havendo eleições, o partido no poder pode mudar de Primeiro Ministro por voto interno.) Burnham tinha feito muita coisa em Manchester, como melhorar a rede de transportes e a habitação.
Ao assumir o cargo, Burnham criticou duramente os últimos 40 anos de políticas liberais e de centralização no Reino Unido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.