Piloto americano que esteve desaparecido no Irão recorda toda a história até ao salvamento
O piloto norte-americano resgatado do Irão depois de o seu avião ter sido abatido em abril partilhou pela primeira vez detalhes sobre a arriscada operação de resgate durante uma entrevista ao programa "60 Minutes", este domingo.
"Bravo", o indicativo de chamada utilizado pelo aviador durante a transmissão para proteger a sua identidade, disse que o seu paraquedas foi danificado após o impacto com o avião e que, durante a queda livre, fez tudo o que pôde para "desdobrar ou soltar pedaços do paraquedas".
"Foi a coisa mais assustadora que já vi", admitiu. A queda fraturou-lhe as costas, um braço e um ombro, além de o deixar com uma torção no tornozelo e escoriações sangrentas na cabeça e na cara.
Depois de se ter ejetado do F-15, o oficial de sistemas de armas conseguiu evitar ser detetado pelas forças iranianas que se aproximavam, subindo uma colina de 2.100 metros apesar dos seus ferimentos, equipado apenas com uma pistola, um dispositivo de comunicação e um rastreador, de acordo com relatos anteriores de autoridades norte-americanas e o depoimento de "Bravo". Embora o piloto da aeronave tenha sido resgatado logo após o acidente, "Bravo" foi resgatado 50 horas depois.
O Pentágono não identificou publicamente nenhum dos dois tripulantes por questões de segurança e para evitar a divulgação de informações confidenciais.
"Assim que encontrei um lugar que me pareceu seguro, comecei a trabalhar para comunicar", disse "Bravo" à repórter Norah O'Donnell, da CBS. "Quando cheguei ao momento em que pude refletir sobre tudo o que tinha acontecido, enviei 'Deus é bom'", acrescentou, descrevendo a primeira mensagem que enviou.
A CNN noticiou no sábado que o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e nomeados políticos do seu departamento pressionaram os dois tripulantes para participarem na entrevista exclusiva e amplamente divulgada, de acordo com múltiplas fontes familiarizadas com o assunto.
Ambos os tripulantes manifestaram inicialmente reservas quanto a isso, e os oficiais militares também estavam receosos de revelar detalhes confidenciais da operação de resgate, de acordo com três das fontes. O piloto recusou participar na entrevista. A CNN noticiou ainda que nomeados políticos dentro do gabinete de Hegseth insistiram para que a entrevista prosseguisse, apesar das reservas expressas pela cadeia de comando militar.
“Toda esta história é uma completa mentira”, disse o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, quando questionado sobre a reportagem da CNN relativamente aos planos para a produção do segmento.
“A decisão de participar na entrevista foi de cada piloto individualmente — porque é a sua história”, acrescentou. “Como a CNN observa, um piloto decidiu participar e o outro não.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.