Exercício físico pode prolongar a sobrevivência de doentes com cancro. Não é extra, é tratamento
O exercício físico estruturado, com acompanhamento profissional, é cada vez mais reconhecido como uma intervenção com benefícios reais para doentes oncológicos, mas falta ainda a infraestrutura para o financiar em larga escala.
Segundo a Folha de São Paulo , estudos observacionais sugerem há muito que o exercício aumenta a sobrevivência, sobretudo no cancro da mama, e o ensaio clínico CHALLENGE (Colon Health and Life-Long Exercise Change), coordenado pelo Canadian Cancer Trials Group e apresentado na conferência da ASCO em 2025, publicado no New England Journal of Medicine, publicado no ano passado, reforçou essa ideia em doentes com cancro do cólon.
Os participantes seguiram durante três anos um programa de exercício acompanhado por um treinador e tiveram menos recidivas e melhor qualidade de vida: oito anos depois, 90% estavam vivos, contra 83% no grupo de controlo.
O programa custou cerca de 3.000 dólares por pessoa (cerca de 530 euros) e, segundo um estudo posterior, ainda poupou dinheiro ao sistema de saúde.
O artigo contrasta-o com o daraxonrasib, um fármaco para o cancro do pâncreas que custa 480.000 dólares por ano, tem efeitos secundários desagradáveis e não aumenta a sobrevivência global a longo prazo.
O oncologista Christopher Booth, responsável pelo ensaio, afirma à Folha que um medicamento com este benefício seria de imediato tratamento padrão e comparticipado pelos seguros.
Apesar das diretrizes já recomendarem pelo menos 150 minutos semanais de exercício de intensidade moderada a alta em doentes com cancro do cólon, os seguros de saúde não cobrem estes programas.
Em Portugal, as seguradoras também não cobrem exercício físico a doentes oncológicos.
A Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física , tem um documento de orientação sobre exercício físico para pessoas com doença oncológica, que defende exercício prescrito de forma individualizada.
Existem alguns projetos concretos, mas são normalmente iniciativas de investigação e não uma oferta universal.
Por exemplo, o IPO do Porto, em colaboração com a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, testou um programa de exercício em doentes com cancro gástrico , que reduziu as complicações pós-cirúrgicas de 40% para 20%.
Esse programa foi desenhado para decorrer entre 2020 e o início de 2024, com cerca de 80 doentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.