“Sem receita não é sem risco”: o que o médico de família quer que saiba antes de se automedicar
Um comprimido porque alguém aconselhou, porque da outra vez resultou ou porque estava na gaveta lá de casa.
É um gesto banal, e foi dele que partiu a conversa entre a médica Margarida Santos e Jorge Hernâni-Eusébio, médico de família e coordenador do Grupo de Estudos de Dor da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).
Os especialista começam por afastar o alarmismo: “A automedicação faz parte da vida de nós todos.
E em muitas situações é perfeitamente legítima, e ainda bem que assim é.” Segundo o médico, o problema está noutro ponto: “É quando a decisão deixa de ser informada e passa a ser automática.” O raciocínio é conhecido: “Resultou comigo, portanto resultou uma vez, vai resultar outra vez”, ou “a minha vizinha tomou, acha que eu posso tomar”.
Jorge Hernâni-Eusébio lembrou que os medicamentos “não servem todos para as mesmas situações”.
Um fármaco adequado para uma lombalgia há três meses pode ser “até prejudicial para a dor de cabeça que tem hoje”.
Além disso, Margarida Santos recorda que o próprio corpo muda, a pessoa pode entretanto ter desenvolvido uma gastrite ou uma hipertensão que antes não tinha.
À pergunta se um medicamento sem receita é seguro, a resposta do médico foi direta: “Quando usado corretamente sim, mas sem receita não é sem risco.
A segurança depende de quem vai tomar, da dose e da duração da toma.” Na dor, o médico usou uma imagem para explicar o que está em causa.
A dor é um aliado, lembrou, e as raras pessoas que nascem sem a sentir têm uma esperança de vida muito reduzida.
Tratá-la é legítimo: “Ninguém tem que sofrer desnecessariamente com dor”.
Mas aliviar o sintoma não dispensa a pergunta sobre a causa: “Ok, desligámos o alarme, mas porque é que ele tocou?” Uma dor muscular depois do ginásio ou de um mau jeito resolve-se, segundo o médico.
Se persiste, piora, é recorrente ou muda de padrão, “aí já temos claramente que perguntar porque é que isto está a acontecer”.
Uma dor prolongada pode ainda, avisou, “criar uma doença em si própria, que se chama dor crónica”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.