IA beneficia salários? Estudo ibérico conclui que 38% dos profissionais sentem essa mudança
O estudo ‘State of European AI Builders 2026’ da Shakers, rede de especialistas independentes e profissionais tecnológicos, revela que 38% dos profissionais e freelancers em Portugal e Espanha admitiu que os benefícios resultantes da utilização de inteligência artificial (IA) já se refletem nos salários.
“Entre os profissionais cuja remuneração aumentou nos últimos 12 meses, o impacto é particularmente evidente entre os independentes: os seus honorários aumentaram, em média, 25%, face a 9% entre os trabalhadores por conta de outrem.
Além disso, 25% dos profissionais independentes identifica as competências em IA como um dos fatores responsáveis pelo aumento dos seus honorários, face a 10% dos trabalhadores por conta de outrem”, salienta o estudo.
A diferença é explicada, na sua maior parte, pela “maior capacidade” do talento freelancer para refletir diretamente nas suas tarifas o valor gerado pela IA.
“7 em cada 10 profissionais afirmam conseguir transformar os ganhos de produtividade proporcionados pela utilização da IA em maiores rendimentos: 53% registam um impacto direto na sua remuneração e 18% capturam esse valor através do aumento dos seus honorários.
Apenas 30% não identificam qualquer impacto nos seus rendimentos”, acrescentou.
Os dados dizem ainda que a IA está a entrar numa “nova fase” de adoção, ultrapassando o contexto de experimentação para assumir um papel “cada vez mais integrado” nos processos das empresas.
“Em Portugal e Espanha, 46% dos profissionais já levou a maioria ou a totalidade dos seus projetos de IA para produção, 11 pontos percentuais acima da média europeia (35%), o que confirma que a região não está apenas a testar a tecnologia, mas a integrá-la de forma efetiva no seu dia a dia profissional”, sublinhou.
Apesar da IA estar “cada vez mais integrada” na atividade profissional, a sua utilização continua, em alguns casos, “a ser mantida fora” do conhecimento de empresas e clientes.
“Em Portugal e Espanha, 31,5% dos profissionais afirma ocultar ou não revelar que proporção do seu trabalho é realizada com recurso à IA, um valor acima da média europeia (25%).
Além disso, perante uma eventual proibição empresarial destas ferramentas, 12,2% dos profissionais na Península Ibérica afirma que continuaria a utilizá-las de forma secreta”, referiu.
O estudo salienta ainda que a evolução da regulamentação da inteligência artificial a nível europeu começa também a criar “novas oportunidades” profissionais.
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