Associação de revendedores de combustíveis acusa o Governo de “mentir aos portugueses”
Os revendedores de combustíveis voltaram a apontar o dedo ao Governo. Desta vez, a acusação diz que o Estado estará a lucrar à custa dos automobilistas portugueses, enquanto cada vez mais condutores atravessam a fronteira para abastecer mais barato em Espanha.
O presidente da Associação Nacional de Revendedores de Energia, Combustíveis, Estações de Serviço (ANAREC), João Durão, não poupou nas palavras esta sexta-feira.
Falando aos jornalistas junto a um posto de abastecimento em Lanhelas, em Caminha, o responsável acusou o Governo de estar a "ganhar dinheiro" com os combustíveis e de "mentir aos portugueses", ao mesmo tempo que pediu mais fiscalização para travar aquilo a que chamou "contrabando" diário de combustível entre Portugal e Espanha.
Para o responsável, a solução passa por baixar a carga fiscal que incide sobre a gasolina e o gasóleo . Segundo Durão, as empresas do setor estão a perder "competitividade exagerada" face aos postos espanhóis, cada vez mais procurados por quem vive perto da fronteira.
Segundo o argumento da ANAREC, em cada euro pago por um litro de gasóleo em Portugal, 60 cêntimos correspondem a impostos . Do lado espanhol, essa realidade fiscal é completamente diferente, o que se traduz diretamente no preço final pago na bomba, segundo o presidente da ANAREC.
Essa diferença sente-se com particular intensidade nas zonas fronteiriças, como Caminha , separada por apenas seis quilómetros de Vila Nova de Cerveira, concelho de onde a Ponte da Amizade liga diretamente a Tomiño, já em território galego.
Segundo a associação, a diferença de preços dos combustíveis entre os dois lados da ponte chega a oscilar entre os 30 e os 40 cêntimos por litro .
Este cenário tem levado cada vez mais automobilistas portugueses, especialmente os que residem ou circulam perto da fronteira, a fazer o desvio até Espanha para encher o depósito.
Para os revendedores nacionais, este movimento traduz-se diretamente em menos vendas e menos receita , motivo pelo qual a ANAREC insiste que a resposta tem de vir do lado da fiscalidade e de um maior controlo desses fluxos transfronteiriços.
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