Canadá aos EUA: "Quando deixarem de fazer memes, poderemos conversar"
"Está abaixo da dignidade dos seus cargos", declarou Carney ao ser questionado sobre os insultos dirigidos por membros do Governo norte-americano às Forças Armadas canadianas.
O chefe do executivo do Canadá criticou também outras ações recentes de Washington, entre as quais as piadas sobre os cadetes canadianos e a mudança do nome do lago Ontario para "lago América" pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Quando os norte-americanos deixarem de fazer 'memes', de lançar farpas e de tentar parecer duros e começarem a levar a sério estas conversações [comerciais], poderemos realizá-las. Isto não é construtivo. Mas é a democracia deles" , afirmou.
Insistiu que o Canadá está disposto a alcançar um acordo comercial "mutuamente benéfico" com os Estados Unidos, mas sublinhou que qualquer pacto terá de respeitar a soberania canadiana e o direito do país a proteger a cultura do Quebeque e a língua francesa.
O líder liberal sustentou que, durante as negociações, Washington apresentou condições que poderiam limitar a capacidade de Otava para assinar acordos comerciais com países terceiros.
"O Canadá é um Estado soberano. Assinaremos acordos de livre comércio com os países com os quais queiramos assiná-los", sentenciou.
Carney denunciou igualmente que as propostas norte-americanas pretendiam converter setores industriais estratégicos canadianos em "filiais" dos seus equivalentes norte-americanos ou impor condições que causariam o seu gradual desaparecimento.
O chefe do Governo canadiano emitiu estas declarações depois da vitória liberal nas três eleições parciais realizadas na segunda-feira – um resultado que interpretou como "um voto de confiança" na estratégia do seu Governo para fortalecer a economia do país e reduzir a sua dependência dos Estados Unidos, num contexto de escalada de tensão comercial e diplomática bilateral.
Questionado sobre se o resultado eleitoral se devia a Trump, Carney respondeu: "Não, deve-se ao nosso plano".
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