Quatro países da UE defendem estreitar diálogo com China no Indo-Pacífico
"S alientámos a necessidade de um diálogo contínuo e da colaboração com os parceiros da região, incluindo a China, para contribuir para a estabilidade, a previsibilidade e relações económicas mutuamente benéficas", afirmou à imprensa o ministro dos Negócios Estrangeiros eslovaco, Juraj Blanar.
A Eslováquia, a República Checa, a Polónia e a Hungria formam o chamado Grupo de Visegrado (V4), que se reuniu hoje em Bratislava com o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi.
Os Estados Unidos e a China disputam uma maior influência na região do Indo-Pacífico, a nível comercial, militar e estratégico.
Segundo os ministros do V4, é necessário "defender a norma da ordem internacional", em referência a questões sensíveis da região, como o Mar da China Meridional, uma rota marítima estratégica reivindicada por Pequim, ou a ilha de Taiwan.
A China considera Taiwan uma das suas províncias, que pretende "reunificar" com o resto do seu território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949. Pequim defende uma tomada de controlo pacífica, mas não exclui o recurso à força e tem vindo a intensificar a pressão militar sobre a ilha.
Por outro lado, os quatro países salientaram a necessidade de uma maior cooperação com o Japão e com a região do Indo-Pacífico em geral, face aos problemas económicos causados pela guerra na Ucrânia.
"Ambas as partes estão a ser afetadas negativamente pela guerra na Ucrânia, pelo que a Europa e o Japão necessitam de uma cooperação alargada em áreas tradicionais e novas para acelerar a recuperação económica e enfrentar os desafios", afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros húngara, Anita Órban, na conferência de imprensa.
O chefe da diplomacia japonesa, por seu lado, referiu a importância de manter a abertura dos mercados e condições comerciais justas, bem como de criar cadeias de distribuição entre parceiros de confiança.
Mais de 900 empresas japonesas estão presentes no território do V4, tendo a Nippon Steel sido uma das últimas a instalar-se na região, após ter adquirido a metalúrgica eslovaca U.S. Steel Kosice, uma das empresas mais importantes do leste da Eslováquia.
O ministro japonês abordou ainda a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente, bem como a ameaça nuclear da Coreia do Norte, de acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros nipónico.
Motegi afirmou ainda que a cooperação entre Tóquio e Bruxelas tem vindo a "assumir uma importância crescente nos últimos anos, num contexto de tensões crescentes no domínio da segurança económica", pelo que o Japão atribui "grande importância à cooperação com os países do V4, que desempenham um papel fundamental na União Europeia (UE)".
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