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Neves: “Ninguém tem a informação do primeiro-ministro"

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Neves: “Ninguém tem a informação do primeiro-ministro"

Paulo Rangel já tinha falado durante quase duas horas aos alunos da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, sobre quase tudo: das fragatas à REN, da Ucrânia à lei das burcas, passando pela “guerra do bacalhau”. Foi a rentrée política do ministro dos Negócios Estrangeiros que, minutos depois, deu uma entrevista ao Observador onde abordou não só esses, mas outros temas. Sobre o caso Luís Neves disse que “neste momento as coisas estão esclarecidas “, alertou que o primeiro-ministro tem informações “que mais ninguém tem” e advertiu ainda que quando Luís Montenegro decidir “ um dia fizer uma remodelaçã o, que às tantas afeta outras pastas e não essa, tem de ser amplamente respeitado”.

Relativamente à crise de Ceuta, Paulo Rangel faz elogios ao homólogo espanhol — pela forma como o foi mantendo informado — e recusa-se a atirar-se a Sánchez. “Esse tipo de apreciação não faz parte do ADN da diplomacia portuguesa”, avisa. Mantém que tudo vai correr bem no Campeonato do Mundo de Futebol, como já tinha dito na CNN Internacional, e deixa também elogios a Rabat: “ Marrocos tem tido um papel decisivo na contenção de ondas migratórias.”

Antes de chegar a Castelo de Vide, Rangel era para ter tido uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia para afinar novos apoios de Portugal. Andrii Sybiha enviou, no entanto, uma mensagem a Paulo Rangel a dizer que ainda estava em sucessivas reuniões com o presidente Zelensky. O chefe da diplomacia portuguesa não desiste, no entanto, de sentar a Rússia à mesa das negociações. E diz que o inimigo não é a Rússia, mas sim o Governo da Federação Russa.

A 24 de abril, antes de uma cimeira de chefes de Estado da União Europeia, o primeiro-ministro defendeu a inclusão da Rússia no diálogo, nomeadamente a presença no G20 e, na altura, até foi criticado por alguns setores. Ontem Paulo Rangel reiterou que “é preciso trazer a Rússia para a mesa das negociações”. O caminho para a paz pode passar por dialogar com Vladimir Putin? Nessa altura, quando o primeiro-ministro falou, já a Ucrânia e o presidente Zelensky tinham falado nisso. E, portanto, isso foi feito em articulação com a Ucrânia. Infelizmente, algumas pessoas não acompanham estas matérias com todo o cuidado e depois falam com alguma facilidade. É obviamente uma prerrogativa livre falar sem todo o conhecimento, mas isso, às vezes, dá impressões erradas. Nós não olhamos para a Rússia como um inimigo. Achamos que o regime de Vladimir Putin é que enveredou por um caminho de violação de Direito Internacional altamente pernicioso e muito perigoso. Em todo o caso, evidentemente que, a haver conversações de paz, têm que ser feitas com as autoridades russas que estejam em funções. E que são estas [as atuais]. E, portanto, nunca esteve excluída uma conversação com a Rússia. O problema é que, sem um cessar-fogo, isso se torna necessariamente difícil. Nessa altura, estava-se justamente a tentar forçar esse cessar-fogo através de conversações. Neste momento diria que estamos numa outra fase, mas Portugal, pela voz do primeiro-ministro, obviamente com o apoio do Governo e do MNE, sempre defendeu que esse diálogo pode ser uma via.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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