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Não podemos confiar nas eleições russas, mas porque interessam tanto a Putin

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Começam hoje e acabam 20 de setembro, as primeiras eleições legislativas desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Os resultados não serão surpreendentes, mas para Putin está tudo na afluência às urnas, numa altura de ataques ucranianos a provocar escassez de combustível e a afetar a economia, uma… A escolha centra-se entre os 450 deputados da Duma Estatal, além de governadores e deputados regionais em várias dezenas de regiões, incluindo, pela primeira vez, os territórios ucranianos ocupados de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia, numa votação que Kiev tem lembrado ser ilegal.

Cerca de 111 milhões de eleitores estão inscritos, e o escrutínio prolonga-se por três dias, com voto eletrónico incluído, numa tentativa de maximizar a participação.

Grigory Yavlinsky, um dos cofundadores do partido anti-guerra, Yabloko e um proeminente político liberal russo, diz à CNN Internacional que o sistema político russo é um exemplo de “autoritarismo eleitoral”, em que eleições multipartidárias nominais servem para legitimar o regime em vez de produzirem mudança real: o resultado está praticamente decidido à partida, com o Rússia Unida, partido que apoia Putin há mais de duas décadas e que controla atualmente mais de dois terços da Duma, a caminho de manter essa dominância.

A lista do partido é encabeçada por Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros, e por Sergei Sobianin, presidente da câmara de Moscovo, surgindo também em posição de destaque o correspondente de guerra Yevgeny Poddubny, ferido por um drone ucraniano, numa tentativa de rejuvenescer a imagem do partido.

O acontecimento mais marcante da campanha foi a exclusão do Yabloko, o único partido registado que defendia abertamente um cessar-fogo com a Ucrânia.

Apesar de inicialmente autorizado a concorrer, o partido foi retirado da lista partidária pelo Supremo Tribunal em agosto, na sequência de uma ação movida pelo partido nacionalista Rodina, que alegou financiamento estrangeiro e considerou a posição antiguerra do Yabloko equivalente a pôr em causa a integridade territorial russa.

Grigory Yavlinsky não tem dúvidas de que a decisão terá sido motivada pela surpresa do Kremlin perante o crescimento do apoio online ao partido, sobretudo entre os mais jovens, o que para si é sinal de nervosismo do regime e não de força.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.

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