"A defesa da Ucrânia é, de facto, a defesa de toda a Europa"
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Este é o Gabinete Guerra das manhãs, 360. Esta segunda-feira a análise do especialista em relações internacionais, o Miguel Baumgartner. Olá, Miguel, bom dia, bem-vindo.
Miguel, o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão termina hoje, dia 17. Que ponto de situação podemos fazer das atuais negociações, sendo o Estreito de Ormuz um dos principais pontos de desentendimento, e depois deste fim de semana, Irão e Omã terem chegado a acordo sobre o mapa das rotas marítimas?
O memorando de entendimento já nasceu praticamente morto. O memorando de entendimento serviu um proveito naquele momento, que era essencialmente acalmar os mercados na questão dos combustíveis, obviamente, para que o preço dos combustíveis pudesse efetivamente baixar e estagnar daquilo que era uma posição que chegamos a ter os preços dos combustíveis bem acima dos 120 dólares. Na altura serviu o propósito de acalmar os mercados e serviu um propósito de Donald Trump procurar uma saída que lhe permitisse dizer que tinha conquistado uma vitória, porque nos lembramos que havia dois pontos super importantes, que eram os pontos de que o Irão ficava com a responsabilidade de garantir a segurança do Estreito de Ormuz, e depois havia o outro ponto, que era sobre aquilo que era o levantamento das sanções progressivas ao Irão e o restabelecimento daquilo que eram os valores que estavam bloqueados. Mas nada disto aconteceu. E nós hoje vivemos praticamente, depois deste tempo todo, nesta cisma de que os Estados Unidos foram diminuindo seus objetivos sobre o Estreito de Ormuz, aliás, sobre todo o processo do Médio Oriente. Já não se fala na questão do nuclear, que Jerry Vance diz que é um assunto que está resolvido, porque o programa foi destruído e está sob as areias do deserto. Não se fala da questão dos proxies, não se fala mais da questão dos mísseis balísticos, sobre a possibilidade da alteração do regime que se falou de alguma forma durante algum tempo, também já não se fala. Sobre o Estreito de Ormuz, também já não se fala daquilo como se falava há cerca de um mês atrás. Fala-se agora da possibilidade efetiva e até profundamente peregrina de os Estados Unidos declararem o Estreito de Ormuz território norte-americano. Mas não falam em termos de ocupação, porque pra declarar americano, pergunta-se então se os Estados Unidos vão ocupar militarmente. Não, o que aconteceu, Maria João, foi um diminuir de objetivos para permitir aos Estados Unidos dizerem que conseguiram um acordo, que conseguiram algum tipo de concessão por parte do Irão para saírem de forma airosa desta guerra.
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