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Inúmeros Migrantes, Péssimos Políticos, e a culpa é da bola

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Inúmeros Migrantes, Péssimos Políticos, e a culpa é da bola

Surpreendentemente, a mesma força marroquina que aparentemente não conseguiu travar dezenas de milhares de pessoas em Julho conseguiu suprimir eficazmente centenas em Agosto, o que, em si mesmo, responde à questão de quem controla realmente a fronteira. Recuemos ao episódio original, porque é nos números que a história se conta sozinha.

Leia-se de novo: dez dias depois, a autoridade responsável não sabia se tinha 8 mil ou 11 mil pessoas no território. Quanto aos mortos, os balanços foram de 18 para 72, depois 88 segundo as autoridades de Ceuta, e acima de 140 em contagens posteriores. O número definitivo permanece incerto.

Não é preciso ser auditor para reconhecer o padrão. Quando as estimativas de entradas e saídas nem sequer permitem fechar uma conta elementar, e quem conta admite ignorar a ordem de grandeza, então não estamos perante estatística, mas perante gestão de percepção.

O Livre escreveu ao Primeiro-Ministro e à Federação Portuguesa de Futebol a defender que Marrocos deixe de co-organizar o Mundial de 2030. O Chega propôs o mesmo. Em Espanha, o Movimiento Sumar pediu-o primeiro, o VOX no dia seguinte, e o Podemos a reboque.

Convém não escamotear esta convergência – ela não valida a medida, explica-a.

A exclusão de Marrocos é uma sanção. E uma sanção não transporta consigo a razão pela qual foi aplicada.

O Livre invoca direitos humanos e a autodeterminação sarauí negada. O VOX invoca a integridade territorial espanhola e a “humilhação” de Espanha. São fundamentos não apenas diferentes, são incompatíveis. E o teste é simples. O Livre aplicaria o mesmo critério ao Mundial de 2034, na Arábia Saudita; o VOX e o Chega, seguramente, não. Quando dois campos concordam no acto e divergem sobre todo o resto, a coincidência é circunstancial, não é evidência.

Daqui decorre algo que qualquer gestor que já comunicou uma decisão difícil conhece – o emissor escolhe o acto, mas é o receptor que determina a mensagem. Se Portugal excluísse Marrocos invocando a autodeterminação sarauí, a leitura dominante em Rabat e em Bruxelas seria a securitária. Uma sanção sem critério enunciado não é política externa. É reacção.

Antes de discutir se Portugal deve pedir a exclusão de Marrocos, valeria a pena perguntar se pode.

Perante a FIFA, o titular dos direitos de organização não é a República Portuguesa, é a Federação Portuguesa de Futebol, entidade privada e legalmente independente do Estado. Paralelamente, há acordos com as cidades anfitriãs e com os diferentes clubes. No entanto, o Estado Português assinou sete garantias governamentais, sem as quais a organização seria impossível, mas não é parte no Acordo de Organização.

O Governo português não controla unilateralmente a exclusão ou substituição de Marrocos. Pode apenas tornar impossível que a Federação lá esteja, e pagar por isso.

Quanto à exclusão de um co-anfitrião, a competência é exclusiva da FIFA, que não está vinculada por deliberações de parlamentos nacionais. O precedente que se invoca, a Rússia em 2022, confirma-o: foi a FIFA que decidiu, não um Estado anfitrião.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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