FBI entra em casa de jornalista e procura fontes: a nova ofensiva de Trump contra a imprensa
A Administração de Donald Trump intensificou a pressão sobre jornalistas e sobre as fontes que lhes fornecem informação, recorrendo a buscas do FBI, apreensão de dispositivos eletrónicos e intimações judiciais para tentar descobrir quem está a divulgar informação interna do Governo norte-americano.
A Administração de Donald Trump intensificou a pressão sobre jornalistas e sobre as fontes que lhes fornecem informação, com recurso a buscas do FBI, apreensão de dispositivos eletrónicos e intimações judiciais para tentar descobrir quem está a divulgar informação interna do Governo norte-americano. A estratégia não passa necessariamente por impedir a publicação de uma notícia, mas por atingir os meios utilizados pelos jornalistas para proteger a identidade das suas fontes.
A ofensiva tem colocado no centro do debate o segredo profissional dos jornalistas nos Estados Unidos, numa altura em que a legislação federal não garante uma proteção absoluta das fontes. Casos recentes envolveram jornalistas do The Washington Post, The New York Times e The Wall Street Journal, além de familiares de alguns repórteres cujos dados telefónicos acabaram incluídos nos pedidos das autoridades.
A própria Administração Trump resume a sua posição numa frase atribuída ao Presidente: “Não perseguimos os jornalistas, perseguimos os autores das fugas de informação.” O problema, porém, está no método utilizado para tentar identificá-los: “Através dos jornalistas.”
Um dos episódios que mais está a dar que falar é o que envolveu Hannah Natanson, jornalista do The Washington Post que acompanhava os despedimentos e as purgas na Administração federal. Mais de mil funcionários tinham entrado em contacto com a repórter, muitos deles através de aplicações de comunicação encriptadas, transformando o seu telemóvel num verdadeiro diretório de pessoas dispostas a revelar o que acontecia dentro do Governo.
Às 6h05 da manhã, agentes do FBI apareceram na casa da jornalista. A investigação estava relacionada com um funcionário contratado pelo Pentágono, acusado de conservar documentos classificados e de partilhar informação com Natanson.
A jornalista, contudo, não era acusada de qualquer crime. Ainda assim, os agentes apreenderam o seu telemóvel, dois computadores, um gravador, um disco rígido e até o relógio que utilizava para fazer exercício.
O mandado de busca tinha sido particularmente controverso. Antes de autorizar a operação, um juiz tinha rejeitado duas versões anteriores do documento, acabando por aprovar uma terceira versão, consideravelmente mais limitada.
A legislação federal existente desde 1980 procura precisamente impedir que as autoridades policiais façam uma busca indiscriminada à casa ou à redação de um jornalista quando podem obter o material através de uma intimação, mecanismo que permite ao visado contestar previamente a entrega dos documentos ou dispositivos.
Essa legislação, conhecida como Privacy Protection Act, surgiu depois de a polícia ter revistado o jornal da Universidade de Stanford à procura de fotografias de uma manifestação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em lifestyle.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO Lifestyle.