Diogo Ribeiro estabelece novo recorde nacional
Diogo Ribeiro estabeleceu durante a tarde deste domingo um novo recorde nacional em 50 metros livres na final da categoria nos Europeus de natação, depois de nadar o percurso em 21,59 segundos. O anterior recorde nacional, também seu, remonta a junho de 2025.
O ucraniano Nikita Sheremet venceu a medalha de ouro, o russo Egor Kornev ficou na segunda posição e o sérvio Andrej Barna conquistou o bronze. Diogo Ribeiro dividiu o sexto lugar com o irlandês Tom Fannon, que conseguiu o mesmo tempo.
O novo recorde que Diogo Ribeiro estabeleceu este domingo na final dos 50 metros livres dos Campeonatos da Europa de Desportos Aquáticos, em Paris, tem uma história por detrás que começa muito antes de qualquer piscina . Tem o cheiro a cloro de Coimbra, uma mota destruída numa estrada, e um jovem que acordou numa ambulância sem saber se voltaria a nadar.
Diogo Ribeiro nasceu a 27 de outubro de 2004 e chegou à natação à boleia da irmã mais velha. Tinha quatro anos quando perdeu o pai — em memória dele tatuou uma estrela de David no ombro direito , bem visível cada vez que o nadador compete — e foi precisamente para ganhar concentração que a mãe o colocou na piscina. Começou no Circuito Regional de Cadetes, em representação da Fundação Beatriz Santos, seguiram-se o Clube Náutico Académico e o União de Coimbra, onde as medalhas começaram a fazer parte da sua vida. As qualidades do jovem coimbrense chamaram a atenção dos responsáveis da natação benfiquista, que o recrutaram em 2021.
Nesse mesmo verão, porém, a sua história podia ter mudado para sempre. Em julho, tinha acabado de subir ao pódio no Campeonato Europeu de juniores, em Roma, nos 100 metros mariposa, quando um acidente de mota quase lhe tirou a carreira — e a vida. Um veículo de carga embateu-lhe na roda traseira e Diogo foi pelo ar, desmaiou e acordou na ambulância. Hematomas no corpo todo, queimaduras nas pernas, o ombro deslocado, um pé fraturado, uma lesão no peito e parte do dedo indicador direito que perdeu — mais tarde reconstruído, sem perder a sensibilidade. Uma semana internado, um mês deitado numa cama, cadeira de rodas para ir à casa de banho. Os médicos apontavam dez meses de recuperação. Voltou aos treinos em dois . “O acidente foi uma lição. Deu-me força mental e psicológica… Acho que ganhei uma segunda vida”, disse, em entrevista ao Maisfutebol.
Recuperado, mudou-se para Lisboa e foi integrado no Centro de Alto Rendimento do Jamor, onde passou a trabalhar com o técnico brasileiro Alberto Silva, que tinha formado os medalhados olímpicos César Cielo e Thiago Pereira. A dupla funcionou. Em 2022, venceu o ouro em três categorias diferentes nos Mundiais de júniores. Em 2023, em Fukuoka, tornou-se o primeiro português a conquistar uma medalha em Mundiais sénior de natação, com a prata nos 50 metros mariposa. Em 2024, no Mundial de Doha, venceu o ouro nos 50 e nos 100 metros mariposa. Tinha 19 anos. Em Singapura, em 2025, ficou a dez centésimos do pódio nos 50 metros mariposa, com 22,77 segundos, novo recorde nacional.
Paris já conhecia Diogo Ribeiro. Foi ali que, em 2024, nadou os seus primeiros Jogos Olímpicos.
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