Lula abre campanha no Brasil
O Presidente brasileiro e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Lula da Silva, fez este domingo o seu primeiro ato oficial de campanha eleitoral com várias referências e simbolismos aos seus 50 anos de vida pública.
O ato ocorreu no berço político do PT, no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, onde Luiz Inácio Lula da Silva entrou na vida pública como líder sindical dos metalúrgicos e liderou greves históricas na década de 1970.
Lula da Silva, de 80 anos, abriu o seu discurso dizendo que o ato deste domingo era tão emocionante quanto a primeira vez que esteve no mesmo local, a liderar a greve dos trabalhadores.
O passado como sindicalista foi um ponto abordado pelo Presidente logo no início do seu discurso, ao dizer que, quando mais jovem, foi “um imbecil” que não acreditava na política e em partidos políticos, anos antes de fundar o Partido dos Trabalhadores em 1980. “Depois da greve de 1978, eu dizia que eu não gostava de política e odiava quem gostava de política. Eu pensava que eu era esperto”, afirmou.
Num tom menos agressivo do que quando foi oficializado pelo PT como candidato, há duas semanas, Lula da Silva criticou a direita brasileira, defendeu a manutenção dos programas sociais, a soberania nacional em terras raras e falou sobre segurança pública.
O candidato voltou a condicionar a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pelo Senado, cujo texto amplia a coordenação do Governo Federal sobre as demais unidades da federação. “Eu vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir responsabilidade com estados e municípios, para libertar o povo das vilas mais pobres”, disse.
Lula da Silva disse ainda que pretende combater lideranças de facções criminosas com inteligência, que vai “libertar o povo” das áreas dominadas pelo crime e que quem “achar que é dono de favela ou de um bairro pobre” será preso. “É fácil matar o bandido numa favela. Agora o cara que manda está num apartamento de cobertura. Está num apartamento de condomínio. Nós precisamos acabar com eles, e nós vamos trabalhar duro”, prometeu.
Ao falar de terras raras, Lula da Silva mencionou a China e os Estados Unidos para dizer que não tem preferência por nenhum dos dois países, e voltou a defender a indústria nacional e o subsolo brasileiro num discurso de soberania. “Não queremos só exportar os minerais brutos (…) para depois importar produtos”, disse, defendendo que quer que toda a cadeia produtiva e os benefícios fiquem no país.
Antes do discurso do candidato, o ato foi marcado por simbolismos e surpresas ao Presidente brasileiro, como a reunião de antigos militantes do partido que o abraçaram no palco e lembraram o passado de fundação do PT e da luta sindical.
Além disso, a primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, fez um discurso em homenagem às mulheres.
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