Maioria das pessoas que provoca incêndios não é pirómana nem tem outra doença psiquiátrica
A meio de 2026, os Serviços Prisionais portugueses contabilizavam 85 presos por crime de incêndio florestal, pessoas já condenadas ou a aguardar julgamento.
Os mesmos dados indicavam ainda que, destes, “20 encontravam-se em regime de vigilância com pulseira eletrónica durante os meses de maior risco de incêndio”.
Agora, quantos do total têm doença psiquiátrica?, não é referido nem tão pouco dado a conhecer no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025 ou de qualquer outro ano.
Ao DN psiquiatras forenses garantem que “muito poucos sofrem certamente de doença psiquiátrica”, nomeadamente de piromania.
Aliás, sublinha o coordenador do Serviço de Psiquiatria Forense do Hospital Júlio de Matos, que integra a Unidade Local de Saúde São José, em Lisboa, João Oliveira, “todos os casos que temos no serviço relacionados com este tipo de crime não têm piromania.
Nem houve qualquer caso nos últimos anos”.
Susana Pinto Almeida, psiquiatra forense na Clínica de Saúde Mental do Hospital Prisional João de Deus, em Caxias, corrobora, explicando: “A piromania é uma perturbação do controlo de impulso bastante infrequente.” Cada caso é um caso e quando há um detido por suspeita da prática do crime de incêndio em que se percebe que pode ser alguém com uma perturbação psiquiátrica ou doença mental é feita uma avaliação clínica, mas, como sublinha Susana Pinto Almeida “ao analisar a pessoa não estou à espera de diagnosticar piromania”, referindo que “a possibilidade de existir doença psiquiátrica nunca é descartada, mas a possibilidade de esta ser encontrada é baixa e “isto está demonstrado cientificamente em vários estudos”.
Para a médica da unidade prisional é importante que se perceba e que se distinga duas coisas: “Quando se fala em incendiários estamos a descrever um comportamento jurídico-criminal, quando se fala em piromania falamos de um diagnóstico psiquiátrico.
Portanto, não faz sentido sequer a associação imediata de doença psiquiátrica a quem comete crime de incêndio.” João Oliveira, explica, por seu lado, que os estudos científicos apontam para “três grandes grupos de incendiários ou de pessoas com motivação para os incêndios.
Dois estão, de facto, associados a doença mental, mas um não.
O primeiro grupo está associado a uma doença mental primária, habitualmente a situações de psicose ou a perturbações do desenvolvimento intelectual, que são as causas mais comuns dentro das doenças psiquiátricas.
O segundo grupo está relacionado com perturbações do consumo de substâncias, sobretudo álcool.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.