Barragem moçambicana de Cahora Bassa quer levar teleférico à vila do Songo
A Hidroelétrica de Cahora Bassa prevê implementar um teleférico turístico na vila de Songo, reforçando a estratégia de valorização turística da barragem, no centro de Moçambique e uma das maiores em África, e da respetiva área de influência.
De acordo com o edital de um concurso de manifestação de interesse lançado pela empresa estatal moçambicana, a que a Lusa teve hoje acesso, o objetivo é pré-qualificar empresas de consultoria para apoiar a aquisição, instalação e comissionamento de um "teleférico turístico de grande capacidade" na vila de Songo, na província de Tete, onde a barragem está instalada.
O concurso prevê a contratação de uma empresa especializada para acompanhar todas as fases do projeto, desde os estudos de viabilidade técnica, económica e operacional até à instalação, testes, certificação e entrada em funcionamento da infraestrutura.
De acordo com o caderno de encargos, a consultora deverá avaliar alternativas tecnológicas, definir o traçado, localização das estações e restantes infraestruturas, além de apoiar a HCB nos processos de contratação, supervisão dos trabalhos, formação de equipas e transferência de conhecimento para a futura operação do sistema.
A empresa exige experiência comprovada em projetos semelhantes desenvolvidos nos últimos 10 anos, incluindo teleféricos turísticos, telecabines urbanas e outros sistemas de transporte por cabo de elevada complexidade técnica.
A vila de Songo foi construída para apoiar as obras da barragem e localiza-se cerca de cinco quilómetros a leste da infraestrutura hidroelétrica, no distrito de Cahora Bassa.
Implantada num planalto a mais de 700 metros de altitude sobre o vale do Zambeze, concentra atualmente várias dezenas de milhares de habitantes e constitui o principal centro urbano ligado à exploração da barragem.
As manifestações de interesse para o concurso do teleférico deverão ser submetidas até 03 de novembro, seguindo-se a seleção das empresas que participarão nas fases posteriores de contratação.
O projeto enquadra-se na estratégia de desenvolvimento turístico que a HCB tem vindo a promover em torno da barragem de Cahora Bassa.
Em maio, a empresa anunciou igualmente a elaboração de um Plano Diretor de Turismo para a vila de Songo e áreas circundantes, justificando a iniciativa com o elevado potencial histórico, ambiental e paisagístico daquela região.
Na documentação desse concurso, conforme a Lusa noticiou então, a HCB descrevia o Songo como um território de "elevado valor estratégico, histórico, ambiental e paisagístico", sublinhando que a ausência de instrumentos de planeamento tem limitado a valorização dos recursos existentes e a atração de investimento turístico.
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