A vida aperta, a revolta cresce. E agora?
Gronelândia, Rússia, Alemanha.
Três acontecimentos que parecem pertencer ao mundo distante da geopolítica e das grandes potências, mas que não estão assim tão longe de nós.
Porque acabam sempre por chegar à vida concreta: ao preço das coisas, aos impostos, aos serviços públicos, ao emprego e à segurança com que cada pessoa olha para o futuro.
Na Gronelândia, os Estados Unidos reforçam a sua presença militar e capacidade extrativa.
Fala-se tanto de autonomia estratégica europeia e soberania, mas onde está essa autonomia quando se reforça a dependência militar e estratégica de Washington? Na Rússia, também houve eleições.
Mas votar não basta para existir democracia.
Num contexto de forte controlo político, vozes e candidatos contrários à guerra na Ucrânia foram impedidos de concorrer.
Eleições formais não garantem pluralismo nem liberdade de escolha e a militarização da Duma só agrava preocupações.
Depois das eleições alemãs, é fácil reduzir tudo à aritmética: quem ganhou, quem perdeu, que coligações são possíveis.
Mas, por detrás dos números, há pessoas.
O descontentamento alemão não nasceu nas urnas.
Nasceu na vida quotidiana, no custo da habitação, no aumento das rendas, na pressão sobre os salários, na perda de poder de compra e na sensação de que trabalhar deixou de ser suficiente para garantir tranquilidade e futuro.
Ao mesmo tempo, aumenta o investimento militar e a despesa com armamento.
E surge uma pergunta inevitável: se há dinheiro para a despesa militar, porque parece nunca haver dinheiro suficiente para habitação, saúde, educação ou proteção social? É neste contexto que importa falar da grande coligação entre CDU e SPD.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.