Valor dos imóveis detidos pelas famílias sobe quase 50% em 15 anos
O valor dos imóveis das famílias portuguesas aumentou quase 50% entre 2010 e 2025, de 473.000 para 708.000 milhões de euros, mas o seu peso nos ativos totais que detinham recuou de 54% para 52%, segundo o BdP.
De acordo com uma análise divulgada hoje pelo Banco de Portugal (BdP) sobre a evolução do património financeiro das famílias, o aumento do valor dos imóveis por estas detidos "refletiu sobretudo a valorização dos imóveis ao longo do período".
"Ainda assim – nota - o seu peso nos ativos das famílias diminuiu de 54% para 52%, à medida que outras componentes do património ganharam importância relativa".
A seguir aos imóveis, destacam-se as participações em capital (incluindo empresas familiares) e os depósitos, com cada um deles a representar em 2025 cerca de 19% do total dos ativos das famílias, comparativamente com 14% e 16%, respetivamente, em 2010.
Segundo o banco central, no ano passado, a dívida das famílias continuava sobretudo associada ao crédito à habitação, cujos representavam 77% do total dos passivos das famílias, comparativamente com 82% em 2010.
Já os empréstimos com outras finalidades passaram de 18% para 23% do total dos passivos no mesmo período.
Da análise do BdP resulta ainda que a composição do património das famílias varia consoante o seu nível de riqueza, predominando, do lado dos ativos, os imóveis em todos os grupos, mas sendo o seu peso menor nos grupos com maior riqueza.
Assim, em 2025, os imóveis representavam cerca de 74% dos ativos das famílias com riqueza líquida abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos dos 10% de famílias com maior riqueza líquida.
Neste último grupo, as participações em capital representavam 28% do total dos seus ativos.
Os depósitos mantinham igualmente uma importância relevante em todos os grupos, representando entre 17% e 21% dos ativos das famílias em 2025.
Ainda assim, entre os 10% de famílias com maior riqueza líquida, as participações em capital tinham um peso superior ao dos depósitos, refletindo uma maior diversificação do seu património financeiro.
Este grupo concentrava também a maior parte dos outros ativos detidos pelas famílias.
Já no que respeita aos passivos, as diferenças na composição eram menos acentuadas, com os empréstimos à habitação a constituírem, no período em análise, a principal componente da dívida em todos os grupos.
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