Fugir da Arábia Saudita pode custar 94 mil euros. Ataques dos Houthis fazem disparar jatos privados
Quando os voos comerciais deixam de ser uma opção, há quem procure uma solução.
E há quem procure um jato privado.
Na Arábia Saudita, a segunda alternativa está a ficar substancialmente mais cara.
A procura por voos charter privados disparou depois dos ataques dos Houthis contra infraestruturas aeroportuárias sauditas, numa altura em que as companhias aéreas cancelaram centenas de ligações e a operação no aeroporto internacional King Khalid, em Riade, sofreu fortes perturbações.
O resultado foi uma subida superior a 50% nos preços de alguns voos privados, de acordo com corretores do setor citados pelo Financial Times .
Um dos exemplos é particularmente expressivo.
Um jato Bombardier Global 6000 com capacidade para 14 passageiros, utilizado numa ligação entre Al-Qassim, no norte da Arábia Saudita, e Genebra, chegou a custar 94 mil euros, segundo dados da Luxaviation citados pelo jornal britânico.
O mesmo tipo de viagem custava anteriormente cerca de 60 mil euros.
Ou seja: em pouco tempo, sair da zona de turbulência passou a custar quase o preço de uma casa em algumas regiões de Portugal.
A explicação está numa combinação pouco simpática para a carteira: mais procura, menos aviões disponíveis e maiores custos de seguro.
Vários operadores reduziram ou suspenderam temporariamente os serviços na região, enquanto empresários, executivos e outros passageiros com maior capacidade financeira procuraram alternativas para deixar o país.
Alguns estão a recorrer a aeroportos secundários sauditas; outros deslocam-se por estrada para países vizinhos, como o Bahrein e o Qatar, de onde podem continuar a viagem em voos comerciais.
Seguro de guerra também entra na conta A escalada militar não encarece apenas o combustível ou a operação dos aviões.
O próprio risco de voar na região está a ter um preço.
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