Irão diz apoiar "processo" para resolver conflito entre Riade e houthis
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que o seu país apoia um "processo político" no conflito que opõe os houthis pró-iranianos do Iémen à Arábia Saudita.
Após anos de acalmia, os confrontos recomeçaram em julho no Iémen, onde a Arábia Saudita presta apoio militar às forças governamentais face aos houthis, que lançam ataques contra o reino.
"Apoiamos a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial do Iémen, bem como as da Arábia Saudita.
Apoiamos um processo político inclusivo e abrangente, que constitui a única via realista e duradouro para resolver o problema", afirmou num discurso proferido em Bagdade, citado pela AFP, perante a Organização para a Cooperação Islâmica (OCI).
Araghchi voltou a propor a mediação do Irão para aproximar a Arábia Saudita e os houthis, embora o seu adjunto, Saeed Khatibzadeh, tivesse indicado anteriormente que Riade ainda não tinha respondido a esta proposta iraniana.
O Irão negou na sexta-feira qualquer envolvimento nos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, na sequência das acusações de Riade de que a República Islâmica estaria a "incentivar" a "intensificação" das operações militares do grupo.
A magnitude dos recentes ataques destes combatentes, que visaram em particular as infraestruturas petrolíferas e os aeroportos sauditas, é sem precedentes desde o início da guerra, em 2014.
Em várias ocasiões, Teerão negou estar por trás das decisões dos houthis ou interferir nas mesmas, afirmando que o movimento iemenita agia de acordo com os seus próprios interesses.
"Ou construímos juntos a nossa segurança, ou sofreremos juntos a insegurança", acrescentou no sábado Araghchi, referindo ainda que o seu país estava disposto "a cooperar com todos os seus irmãos e vizinhos para alcançar a primeira opção".
Em comunicado divulgado pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária iraniana informou que um segundo superpetroleiro se incendiou hoje após colidir com uma mina naval quando tentava atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota "não autorizada", horas depois de ter anunciado um acidente semelhante nesta passagem marítima estratégica.
O corpo militar de elite iraniano indicou que o navio, que transportava mais de dois milhões de barris de petróleo bruto, sofreu uma forte explosão na sala de máquinas após a colisão e ficou imobilizado.
Segundo a Guarda Revolucionária, a embarcação, cuja bandeira não foi identificada, tentou atravessar uma rota "não autorizada" depois de o Exército norte-americano "a ter induzido, através de manobras enganosas, a desligar todos os seus sistemas de posicionamento e radar", segundo a sua versão.
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