Modelo de descriminalização da droga desperta interesse internacional
"Portugal foi o primeiro país do mundo a adotar, à escala nacional, um modelo abrangente de descriminalização do consumo de todas as drogas", através da criação em 2001 das Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT), estruturas especializadas para avaliar cada situação e encaminhar os consumidores para as respostas adequadas.
Segundo o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), a medida constituiu um "marco determinante" na política pública de drogas em Portugal e continua a motivar o interesse de "71 países, representados por uma diversidade de interlocutores, incluindo representantes governamentais e parlamentares, peritos, investigadores, estudantes universitários e organizações não-governamentais".
"A realidade atual demonstra bem a dimensão do desafio que permanece perante nós", afirmou a presidente do ICAD, Joana Teixeira, nas comemorações do 25.º aniversário, cuja cerimónia decorreu na sexta-feira, em Lisboa.
Segundo Joana Teixeira, estima-se a existência de cerca de 21 mil consumidores problemáticos de opiáceos, mais de 66 mil consumidores problemáticos de cocaína e 'crack', cerca de 7.700 consumidores por via endovenosa e quase 53 mil pessoas com dependência de canábis.
A responsável manifestou preocupação com o "crescimento de padrões de consumos problemáticos de canábis entre adolescentes e jovens".
"Muitos destes jovens não reconhecem os riscos associados ao consumo nem procuram ajuda de forma espontânea. Estes números não nos deixam tranquilos. Pelo contrário, convocam-nos para uma renovada responsabilidade coletiva.
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