Moçambique admite reabrir investigação à morte de Samora Machel
O Governo moçambicano admitiu hoje que novos esclarecimentos sobre a morte do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, poderão exigir a reabertura do processo de investigação ao acidente aéreo de Mbuzini.
A posição foi assumida no final da 30.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros pelo seu porta-voz, Inocêncio Impissa, questionado sobre as declarações do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, que na segunda-feira defendeu, em Mbuzini, na África do Sul, a procura da verdade sobre as circunstâncias do acidente que vitimou o antigo chefe de Estado.
Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique após a independência, morreu em 19 de outubro de 1986 quando o Tupolev-134 presidencial em que seguia se despenhou em Mbuzini, no nordeste da África do Sul, junto à fronteira moçambicana.
O chefe de Estado regressava de uma reunião regional em Lusaca, na Zâmbia, quando o aparelho caiu numa zona montanhosa de Mbuzini, com 44 pessoas a bordo.
Questionado diretamente sobre a possibilidade de uma nova investigação, Impissa respondeu que "não é possível esclarecer sem se reabrir o dossiê" e acrescentou: "Se o senhor Presidente assumiu um compromisso nesta perspetiva, pode ser que sim.
Pode ser que sim".
As declarações surgem um dia depois de Daniel Chapo ter defendido, durante as cerimónias dos 40 anos da tragédia de Mbuzini, que as famílias das vítimas "merecem respostas" e que a história "reclama a verdade".
No discurso proferido junto ao memorial de Mbuzini, o chefe de Estado considerou que as investigações realizadas ao longo das últimas décadas não dissiparam todas as dúvidas sobre as circunstâncias do acidente.
"As famílias e os povos de Moçambique e África do Sul têm o direito de conhecer com rigor e transparência a verdade sobre os acontecimentos daquela noite", declarou na ocasião.
Questionado hoje pelos jornalistas sobre uma eventual reabertura formal do processo, o porta-voz do Governo não avançou qualquer calendário nem indicou a existência de diligências já em curso, limitando-se a admitir que o aprofundamento dos esclarecimentos sobre o caso poderá passar pela reabertura da investigação.
Do acidente resultaram 35 mortos, incluindo Samora Machel, membros do Governo, assessores presidenciais, elementos da segurança e tripulantes.
Nove ocupantes sobreviveram, vários dos quais com ferimentos graves.
Quatro décadas depois, o desastre continua a suscitar debate e interpretações divergentes sobre as suas causas, com Moçambique a defender que subsistem questões por esclarecer.
Nascido em 29 de setembro de 1933, na província de Gaza, Samora Machel trabalhou como enfermeiro antes de abandonar o país, em 1963, para se juntar à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), fundada no ano anterior na Tanzânia.
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