Ucrânia: Kallas saúda cessar-fogo mas duvida que Rússia o respeite
A chefe da diplomacia da União Europeia saudou esta segunda-feira (12) o cessar-fogo anunciado por Donald Trump entre a Rússia e a Ucrânia, mas avisou que a Rússia não está a dar sinais de que o vai cumprir.
“ Saudamos o cessar-fogo a ataques contra infraestruturas energéticas, se for respeitado .
No entanto, ainda não vimos sinais de que a Rússia o vá respeitar ”, afirmou Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE).
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança pediu, no entanto, que o cessar-fogo também abranja ataques contra civis, para garantir que se deixam de perder vidas humanas.
“ Não se trata apenas da energia, embora esta seja extremamente importante, porque o inverno vai ser frio” , defendeu.
Kallas salientou que, caso o cessar-fogo se aplique apenas aos ataques contra infraestruturas energéticas, a Rússia sai beneficiada, uma vez que a Ucrânia “tem apenas uma refinaria e a Rússia tem muitas”.
“Por isso, é importante que o cessar-fogo não se aplique apenas às refinarias ”, insistiu.
Questionada sobre como é que vê o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para libertar milhares de barris de gasóleo russo, Kallas defendeu que não se pode esquecer que foi Moscovo que iniciou a guerra na Ucrânia.
“Por isso, temos de exercer pressão sobre a Rússia para que ponha fim à guerra .
Porque, se a Rússia parar, os ucranianos também não terão de tomar medidas para defender o seu país.
É isso que está verdadeiramente em causa”, salientou.
É também por isso, prosseguiu, que os ministros dos Negócios Estrangeiros deverão aprovar hoje um pacote de sanções que irá visar cerca de 1.600 entidades e indivíduos do complexo militar e industrial russo.
Kallas salientou que, até ao momento, as sanções da UE já privaram Moscovo de “um bilião de euros” e acrescentou que seriam “ainda mais eficazes” se o Reino Unido e os Estados Unidos também as aplicassem.
“O Reino Unido está alinhado connosco, mas, se os Estados Unidos também estivessem, se aprovassem o projeto de lei Graham relativo à Rússia, poderíamos exercer uma pressão verdadeiramente significativa para levar a Rússia a pôr fim a esta guerra”, sustentou.
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