Presidente do parlamento iraniano vai ao Iraque sob pressão dos EUA
D e acordo com a agência de notícias iraniana Fars, Mohammad Bagher Ghalibaf, que é também chefe dos negociadores iranianos nas conversações com Washington para tentar pôr fim à guerra, vai liderar "uma delegação parlamentar de alto nível, para debater a evolução da situação regional, reforçar a cooperação estratégica entre Teerão e Bagdad e explorar soluções comuns destinadas a contribuir para a estabilidade e a segurança no Médio Oriente".
Esta visita do responsável iraniano ocorre num momento em que o Iraque está a sofrer pressões por parte de Washington para desarmar poderosas fações armadas apoiadas pelo Irão, que adquiriram uma influência política e financeira considerável no país ao longo dos anos.
Por seu lado, Bagdad deu aos grupos armados pró-iranianos até 30 de setembro para deporem as armas, um prazo que coincide com o fim da missão da coligação anti-extremista liderada pelos Estados Unidos.
Esta visita tem também lugar depois de o gabinete do primeiro-ministro da região autónoma do Curdistão iraquiano ter sido alvo, na segunda-feira, de um ataque com drones, cuja autoria foi inicialmente atribuída pelas autoridades curdas ao Irão, algo que Teerão já negou, argumentando que se tratou de uma manobra destinada precisamente a prejudicar as relações bilaterais.
Ainda de acordo com a agência noticiosa iraniana, que cita o embaixador de Teerão em Bagdad, a visita de Ghalibaf já estava planeada com antecedência e deverá durar dois dias.
Relativamente à situação no Médio Oriente, Mohammad Bagher Ghalibaf garantiu já que o Irão vai manter o estreito de Ormuz fechado enquanto os Estados Unidos não cumprirem os compromissos previstos no protocolo assinado em junho, exigindo designadamente "o levantamento do bloqueio naval [norte-americano], o desbloqueio dos ativos [iranianos] congelados, o levantamento do embargo petrolífero" e o fim das operações militares "em todas as frentes".
O estreito de Ormuz "não será aberto enquanto os compromissos norte-americanos estipulados no protocolo de acordo (...) não forem concretizados", afirmou, durante um discurso transmitido pela televisão de Estado, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Considerado como uma via estratégica para o comércio internacional, nomeadamente de produtos petrolíferos, o estreito de Ormuz tem estado no centro das negociações entre o Irão e os Estados Unidos.
Teerão e Washington tentam desde junho pôr termo à guerra desencadeada pela ofensiva militar que os Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irão em 28 de fevereiro.
O Irão respondeu com o bloqueio do estreito e com ataques a bases e outros interesses norte-americanos na região, o que alastrou a guerra a grande parte do Médio Oriente.
Teerão exige também o fim das hostilidades de Israel contra o Líbano, onde o exército israelita combate o grupo libanês extremista Hezbollah, aliado do Irão, mas Telavive tem conseguido manter os dois conflitos separados.
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