Centeno, o economista com ego de Ronaldo
Em 2017, Wolfgang Schäuble apelidava Mário Centeno de “Ronaldo do ECOFIN”.
Depois de anos de relações aflitivas com o ministro das finanças alemão, o elogio ao congénere português caía que nem uma luva.
Nove anos se passaram e, hoje, a comparação ganha uma nova dimensão: também na egomania Centeno é uma espécie de CR7 das finanças.
O ex-governador do Banco de Portugal tem se desdobrado em entrevistas que se somam ao comentário televisivo e ao livro que acaba de publicar.
E há algo que é transversal a todas as suas intervenções: Centeno é muito crítico, de Montenegro a Carneiro, passando até por Costa, poucos se safam quando comparados com a sua mundividência.
Aliás, outro traço saliente das suas entrevistas é precisamente o facto de nunca errar, esboçando uma espécie de versão contemporânea da epígrafe humoristicamente atribuída a Cavaco – “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”.
Ao contrário de Cavaco, Centeno já esteve mais longe de a proferir.
A procura por tempo de antena é sôfrega e o resultado, invariavelmente, é uma ode à sonsice.
Para criticar Marcelo, que teve não só a desfaçatez de o recusar como PM, como também de o desmentir na sequência daquela gabarolice internacional ao Financial Times , Centeno critica os governos minoritários de Montenegro e a ausência de exigência de acordos escritos.
Infelizmente, esqueceu-se de que o seu governo de 2019 era minoritário.
Escreve artigos trauliteiros com dados massajados e truncados para sustentar a tese de que Montenegro é tão mau ou pior que Sócrates.
Infelizmente, também nunca viu mal em governar com Costa, ex-número dois de Sócrates, ou Santos Silva, que até hoje é incapaz de criticar o chefe.
Alerta agora para o facto de o superavit não ser sustentável, porque depende apenas do excedente da Segurança Social.
É verdade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.