Nazaré, a professora ávida de saber que não deixa cair a honestidade
Duas licenciaturas, um mestrado e um doutoramento.
Se dúvidas houvesse entre os que nunca se cruzaram com Nazaré da Costa Cabral, sempre acompanhada dos seus papéis, e os que não a tenham ouvido falar entusiasticamente sobre economia e finanças públicas, o vasto curriculum académico permite desfazê-las.
A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP) faz mesmo jus ao velho ditado ‘o saber não ocupa lugar’.
Apaixonada pela academia, a sua personalidade não se esgota, contudo, aí.
Corridas e música também fazem parte do universo de uma mãe “galinha” para quem a família tem lugar central.
Em 2019, quando chegou a hora da primeira presidente do Conselho das Finanças Públicas, Teodora Cardoso (1942-2023), passar o testemunho, foi Nazaré da Costa Cabral o nome escolhido pelo então presidente do Tribunal de Contas, Vítor Caldeira, e pelo, na altura, governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para um mandato único de sete anos.
A expectativa era alta.
Até então, aquela entidade tinha tido apenas uma líder — conhecida por ter entrado em algumas controvérsias com o Governo socialista de António Costa e com os partidos da ‘geringonça’.
Entre o poder político e os jornalistas, corria a incógnita sobre se a nova presidente manteria a linha dura da sua antecessora na fiscalização ao estado das finanças públicas.
E não demorou muito a dar sinais.
Em pouco tempo, implementou o seu estilo e mostrou que não estava disponível para deixar cair os alertas sempre que os achasse necessários.
É conhecida por ser discreta, mas nem por isso menos direta.
Como primeiro grande propósito tinha “salvaguardar e reforçar” a independência da instituição, “protegendo-a da confrontação política e partidária e da sua instrumentalização por qualquer tipo de interesse ou agenda oportunista que não cumprimenta a sua missão “.
Depois, chamou a si o objetivo de contribuir para afastar, na opinião pública, “perceções equívocas e datadas” sobre a instituição, designadamente a associação do Conselho enquanto criação da troika ou de instituição imposta pela União Europeia.
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