Da sociedade responsável à democratização do acesso ao capital
Conforme tenho vindo a salientar, alguns sectores procuram dar uma visão truncada de globalização, segundo a qual a mesma teria, apenas, que ver com a liberalização do comércio de bens e serviços , bem como com os movimentos do factor produtivo capital.
Se assim fosse, existiriam diversos efeitos perversos, a começar pela assimetrização e pelo excesso de concentração do poder económico, continuando nos possíveis enviesamentos e irracionalidades decorrentes do comportamento FTL- “ Follow the Leader ”.
A assimetrização teria, em larga medida, que ver com o agravamento das desigualdades no processo de acumulação de stock de capital e em termos de grau de qualificação da mão-de-obra (para não dizer ao nível da variável conhecimento, como refere Peter Lange), enquanto que o excesso de concentração poderá vir a estar relacionado com uma deficiente regulação de mercados, sendo, todavia, de reconhecer que a globalização permitiu, em muitos sectores, a passagem da forma de mercado monopolista ao que se designa de mercado contestável, com vantagens para os consumidores.
Por outro lado, o comportamento FTL conduz a soluções de ineficiência económica, sendo certo que esse fenómeno apresenta, também, uma dimensão internacional.
Procurando-se analisar as “intenções” de investimento dos agentes económicos, convém sublinhar que a questão das “expectativas” não pode ser reconduzida ao que se convencionou designar por “expectativas racionais”, sendo verdade que existe, por vezes, muito de irracional na componente psicológica do investimento (bem como na própria “explicação” do comportamento das variáveis macroeconómicas).
Daí a relevância da “Síndrome Despesista” – que tende a associar, mecanicamente, a decisão de investir à expectativa de expansão do nível de despesa – e do comportamento FTL, em que o agente económico se limita a seguir o líder ou, melhor dizendo, a empresa ou as empresas de referência.
Recentemente, com o desenvolvimento daquilo que Kenichi Ohamar designa por economia dos “elevados múltiplos”, surgiu uma Nova Tecnoestrutura que apresenta uma Nova Função Objectivo, que se caracteriza pela maximização dos resultados a obter no curto prazo, permitindo ao tecnocrata a obtenção de níveis salariais elevados (incluindo prémios), a par de um maior protagonismo social e de boas perspectivas de promoção profissional, apostando-se na rápida obtenção de um “ leverage ” viabilizador de uma ulterior alavancagem.
Na concretização de uma estratégia com esta tipologia existe o perigo de a gestão se afastar dos interesses reais, de médio e longo prazos, dos detentores de capital.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.