Empresas querem contratar profissionais em IA que quase não existem
A Inteligência Artificial está a transformar o mercado de trabalho.
E um dos grandes desafios que está a colocar é a necessidade de profissionais com competências tecnológicas que quase não existem.
Mas o desajustamento entre o que querem as empresas e o perfil dos candidatos estende-se a outros setores.
Como salienta Gonçalo Castelbranco, da empresa de recrutamento Michael Page, "existe claramente um desfasamento entre aquilo que as empresas procuram e o talento disponível" e em IA "o problema é ainda mais complexo".
A tecnologia está a evoluir mais rapidamente do que as carreiras profissionais e "muitas empresas procuram simultaneamente experiência em desenvolvimento, data , cloud , machine learning , GenAI e conhecimento do negócio, uma combinação que poucos candidatos possuem", frisa Gonçalo Castelbranco.
É esse o quadro que também traça Paula Baptista, diretora-geral da Hays Portugal: "O verdadeiro desafio está na velocidade a que as competências necessárias estão a mudar".
Segundo a especialista em trabalho, "muitas empresas continuam à procura do candidato ideal, com experiência específica, setor específico, certificações específicas e disponibilidade imediata" e "esse perfil muitas vezes simplesmente não existe" .
Lúcia Guimarães, da Adecco, depara-se com o mesmo entrave.
Segundo adianta, em funções altamente especializadas, "é frequente as organizações procurarem profissionais que reúnam um conjunto muito alargado de competências técnicas, experiência específica e disponibilidade imediata, perfis que nem sempre existem em número suficiente".
É uma realidade muito visível "em áreas onde a procura tem crescido mais rapidamente do que a oferta de profissionais qualificados, como é o caso da tecnologia em áreas de IA , a sustentabilidade ou ainda as funções técnicas especializadas", diz Daniela Lourenço, da Manpower.
Como se revolve este desajustamento? As empresas estão a perceber que "devem contratar potencial e desenvolver competências internamente" , diz Paula Baptista.
Na sua opinião, "a capacidade de formar, requalificar e desenvolver talento será uma das competências mais importantes das organizações durante esta década".
Daniela Lourenço destaca também a necessidade de investimento em formação, reskilling e upskilling dentro das empresas para garantir as competências que necessitam e são mais difíceis de encontrar no mercado.
Lúcia Guimarães também considera que "as empresas continuam a definir perfis muito próximos do candidato ideal, quando talvez seja mais eficaz identificar profissionais com uma base sólida de competências e potencial de desenvolvimento ".
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