Poucos escritores morrem como Jane Austen
Poucos serão os escritores que têm a obra constantemente reimpressa após a sua morte como é o caso de Jane Austen (1775- 1817) apesar de já terem passado mais de dois séculos.
Decerto que Austen gostaria de ter conhecido a glória literária que os seus escritos ganharam posteriormente, pois em vida pouco foi o reconhecimento, além de ter sido obrigada a publicar sob pseudónimo quatro dos seus romances Sensibilidade e Bom Senso , Orgulho e Preconceito , Mansfield Park e Emma .
Póstumos, o grande sucesso Persuasão , além de Northanger Abbey , de um romance incompleto, The Watsons , e outro em fase avançada, Sanditon , bem como um trio de manuscritos que refletem o seu treino literário inicial, Lady Susan , Jack e Alice , Amor e Amizade .
Recorde-se que Austen imaginou e criou os seus romances principais até aos 22 anos mas estes só foram editados após os seus 35 anos, entre 1811 e 1815, e no ano da sua morte.
O grande impulso para um conhecimento mais amplo aconteceu com a reedição organizada dos romances numa coleção de prestígio seis anos após a morte da escritora, bem como com a publicação de uma importante biografia pelo seu sobrinho em 1869, em que Jane Austen surge de corpo e rosto completos.
A comemoração dos 250 anos sobre o seu nascimento fez com que no ano passado tenham sido publicados livros sobre a escritora, sendo Jane Austen – Uma Biografia de Claire Tomalin (Relógio D’Água) o grande destaque devido à exaustiva pesquisa e ao excelente retrato da escritora e da obra.
A editora publicou também todos os títulos menos comerciais de Austen, como as suas primeiras obras e as incompletas.
No entanto, foram muitas as edições dos seus romances no ano passado, tendo-se multiplicado de uma forma infinita todos os títulos em várias editoras: Clássica, Editorial Presença, Guerra & Paz, Livros de Bolso, Penguin, entre outras, e até dentro de um mesmo grupo editorial, como é o caso das editoras Porto e Bertrand.
Se a Porto Editora publicou no início de julho Orgulho e Preconceito e Persuasão , também a Bertrand editou este ano os mesmos dois títulos, o último dos quais neste mês de agosto, devendo seguir-se outros romances da autora.
Segundo a editora, Persuasão será o “romance mais coeso, íntimo e pessoal” de Austen, bem como a “obra-prima da plena maturidade literária da autora”.
De modo a personalizar as capas, escolheu quadros de John Singer Sargent que representassem o enredo do romance: “a história de dois corações que triunfam sobre o tempo e o preconceito”.
Diga-se que a temática da obra de Austen mantém-se atual, tanto que os seus romances já foram várias vezes adaptados ao cinema e ao streaming , como foi o caso de Persuasão (2022) e ainda este ano será o romance Orgulho e Preconceito .
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