Fitch: Portugal, Grécia e Chipre destacam-se na redução da dívida pública e somam três subidas de rating desde 2022
Portugal, Grécia e Chipre foram alvo de três subidas de rating cada pela Fitch Ratings desde 2022, beneficiando sobretudo de uma redução da dívida pública mais rápida do que a média da zona euro, segundo um relatório divulgado esta terça-feira, 25 de agosto, pela agência de notação financeira.
A Fitch salienta que os três países registaram quedas acentuadas dos rácios da dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) desde os máximos atingidos em 2020, colocando-os abaixo dos níveis anteriores à pandemia.
Na zona euro, a redução foi mais limitada.
“Para os países europeus com elevado endividamento soberano, a lição de Chipre, Grécia e Portugal é clara: melhorias duradoiras nas classificações de risco são construídas sobre excedentes primários sustentados ao longo de anos e governos sucessivos, e não apenas sobre condições macroeconómicas favoráveis”, defende Utku Bora Geyikci, Diretor Associado da Fitch Ratings, no relatório.
A diminuição do endividamento contribuiu para melhorar a avaliação dos países no modelo de rating soberano da Fitch.
No caso de Chipre e da Grécia, a melhoria da saúde do setor bancário permitiu ainda eliminar ajustamentos qualitativos negativos que anteriormente limitavam as respetivas classificações.
Em Portugal, foi a evolução da posição externa que contribuiu para a retirada desse ajustamento.
A Fitch confirmou em maio a classificação da Grécia em ‘BBB’, com perspetiva estável, e a de Chipre em ‘A-‘, com perspetiva positiva.
Em março, a agência manteve Portugal em ‘A’, mas reviu a perspetiva de estável para positiva.
O crescimento económico foi o principal fator a contribuir para a redução da dívida nos três países, mas a Fitch considera que não foi esse elemento que os distinguiu de outras economias do sul da Europa.
Espanha e Itália beneficiaram de condições de crescimento semelhantes, mas registaram apenas uma subida líquida de um nível nas respetivas classificações desde o período pré-pandemia, contra três níveis em Portugal, Grécia e Chipre.
“A diferença foi orçamental”, sublinha a Fitch, destacando que os três países passaram a apresentar excedentes primários sustentados e apoiados por políticas orçamentais.
Em contraste, a Itália registou apenas pequenos excedentes primários desde 2024, enquanto Espanha não apresentou excedentes.
“O forte crescimento foi o maior contribuinte para a desalavancagem, mas não foi o que diferenciou os três: Espanha e Itália desfrutaram de ventos favoráveis semelhantes, mas cada uma registou apenas um ganho líquido de um nível em relação aos níveis pré-pandemia, contra três níveis para Chipre, Grécia e Portugal.
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