Odeio ténis
Lamento não praticar ou conhecer melhor a modalidade, porque a única prática desportiva em que tive resultados dignos de registo foi no ténis de mesa, na adolescência, mas uma entorse no pé afastou-me dessas lides.
Não percebo particularmente de ténis, mas gosto da envolvência, da solitude que exige ao atleta e de ver como gerem a pressão de estar tudo nas suas mãos durante as partidas.
E gosto, sobretudo, daquela estranha combinação entre silêncio e intensidade antes de cada ponto, do movimento das cabeças a assistir.
Este ano, no Estoril Open, senti que estava numa aula de comportamento humano, o que me fascina.
Talvez por isso tenha chegado à série Rafa, da Netflix, mais interessada nas pessoas do que nas raquetes.
E recordou-me a minha biografia preferida, Open, do André Agassi.
“Odeio ténis.” É assim que um dos melhores tenistas de sempre começa a sua história.
Para mim, ganha a taça da melhor forma de começar um livro e funciona melhor do que “Era uma vez”.
Ao associar as duas histórias, encontrei uma coisa que me interessa muito mais do que saber quem tem o melhor backhand : duas lendas podem construir carreiras extraordinárias a partir de relações completamente diferentes com aquilo que fazem.
Agassi ganhou oito Grand Slams, chegou a número um do mundo e tornou-se uma das maiores figuras da história do ténis.
E começa a contar a sua história precisamente pela rejeição do jogo que marcou a sua vida.
Ele não esconde a contradição: o ténis foi-lhe imposto desde criança pelo pai, o treinava com uma obsessão que não lhe deixou propriamente espaço para escolher.
E, ainda assim, aquele miúdo que dizia odiar ténis tornou-se uma referência.
Do outro lado está Rafa Nadal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.