Israel admite pela primeira vez que disparou contra o carro em que morreu uma criança de cinco anos
O exército israelita admitiu pela primeira vez, esta quarta-feira, ter aberto fogo contra o veículo que transportava Hind Rajab, de 5 anos, em Gaza, e afirmou ter iniciado uma investigação criminal ao assassínio.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) tinham anteriormente negado o envolvimento no homicídio ocorrido em janeiro de 2024, afirmando meses depois que uma investigação preliminar concluiu que as suas forças “não estavam presentes perto do veículo nem ao alcance de tiro”.
Este é um dos dois incidentes de grande impacto sobre os quais o exército abriu investigações criminais. No entanto, o exército afirmou que não iria investigar outros três ataques ocorridos nos primeiros meses da guerra, que resultaram na morte de trabalhadores humanitários.
Rajab era uma das sete pessoas da sua família que viajavam num veículo no norte de Gaza quando foram atingidas pelo fogo israelita. Rajab sobreviveu ao ataque inicial e implorou durante horas ao telefone para que os paramédicos palestinianos a resgatassem. Posteriormente, uma ambulância enviada para a socorrer também foi alvejada.
Doze dias depois, o corpo de Rajab foi encontrado dentro de um carro crivado de balas.
“Os resultados da perícia indicam que as tropas das Forças de Defesa de Israel (IDF) dispararam contra um veículo que se aproximava”, afirmou as IDF em comunicado.
“Após a análise dos resultados e devido a aparentes falhas na coordenação da deslocação da ambulância do Crescente Vermelho Palestiniano, decidiu-se iniciar uma investigação criminal sobre o incidente pela Divisão de Investigação Criminal da Polícia Militar.”
As gravações da ligação de Rajab aos paramédicos ganharam atenção internacional, impulsionando os apelos à responsabilização pela sua morte e pela de milhares de outras crianças em Gaza. Um filme sobre o incidente, “A Voz de Hind Rajab”, foi nomeado para os Óscares em 2026.
A investigação sobre a morte de Hind Rajab faz parte do primeiro relatório abrangente das IDF sobre alegados crimes de guerra desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
O Mecanismo de Apuração e Avaliação de Factos do Estado-Maior das IDF concluiu a investigação de 150 incidentes, que foram encaminhados para o principal advogado militar para que este decida sobre a abertura de investigações criminais. Das 150 investigações, cinco decisões foram publicadas esta quarta-feira, enquanto as restantes aguardam a decisão do procurador-geral militar.
As IDF anunciaram também a abertura de uma investigação criminal sobre o assassinato, em março de 2025, de 15 paramédicos e socorristas que viajavam em ambulâncias e outros veículos de emergência.
Inicialmente, as IDF alegaram que os veículos circulavam de forma suspeita, sem faróis ou sinais de emergência, o que foi posteriormente desmentido por um vídeo que mostrava o comboio de veículos com as luzes a piscar. O grupo foi enterrado numa vala comum juntamente com os seus veículos de emergência.
IDF reconheceram posteriormente "falhas profissionais" no incidente e insistiram que não houve "nenhuma falha ética".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.